domingo, 31 de julho de 2016

Cacau são tomense promove sucesso de chocolates Corallo



SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

Os chocolates Claudio Corallo, nome do proprietário, italiano de 64 anos, têm ganho reputação internacional e o segredo está quer na qualidade do cacau de São Tomé e Príncipe quer do modo de colheita e tratamento, revelou o próprio à Africa News.

«O segredo do nosso sucesso começa na qualidade do cacau e passa pela forma como o colhemos os grãos e um processo único de fermentação que resulta de anos de experimentação e apuro», começou por revelar.

Claudio Corallo garante que, «ao contrário das grandes marcas de chocolate, que descascam os graus de cacau de forma mecânica, nós descascamos cada grão de cacau à mão. O que será único no mundo. Com isso, não só garantimos emprego como respeitamos as melhores práticas ambientais», congratulou-se Claudio Corallo.

«A nossa produção, comparada com muitas outras, é pequena. Mas, em compensação, não comprometemos nada no nosso produto e mantemos os mais altos padrões de qualidade. As nossas embalagens são propositadamente simples e minimalistas porque o queremos realçar é a qualidade do nosso chocolate», concluiu.

Claudio Corallo formou-se em agronomia e emigrou para a República Democrática do Congo com apenas 23 anos, tendo trabalhado para o governo na área da pesquisa agronómica. Poucos anos depois, investiu na plantação de café e produz 800 toneladas de café anualmente.

Em 1998, devido ao conflito armado, comprou uma plantação de Cacau em São Tomé e passou a produzir chocolate.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Multinacionais exploram crianças na cadeia produtiva do chocolate

por Andreia Landa Pandim





Por incrível que pareça o chocolate é amargo para muitas crianças, hoje em dia muitas crianças ainda são tratadas como escravas e forçadas a trabalhar em condições precárias, na produção do cacau, a principal matéria prima do chocolate. São milhares de crianças exploradas por empresas internacionais que produzem o desejado chocolate sem que seus consumidores se deem conta. Um processo já tramita na Justiça e nele 7 empresas, entre elas empresa como Nestlé, Hershey e Mars, figuram como acusadas.

As ações judiciais contra as empresas foram impetradas pela Hagens Berman Sobol Shapiro, sustentando que as gigantes do chocolate tendem a fechar os olhos para as violações dos direitos humanos por parte dos fornecedores de cacau na África Ocidental.

Hoje, 60% do cacau do mundo vem da África Ocidental. E a maior parte da colheita dos grãos vem da Costa do Marfim, e de acordo com um estudo realizado pela Universidade de Tulane, mencionado na denúncia, para as grandes empresas do chocolate, no pais mais de 4.000 crianças estão em condições de trabalho forçado para a produção de cacau. Algumas crianças são vendidas para traficantes pelos seus pais desesperados por causa da pobreza, enquanto outras são sequestradas.



As crianças são forçadas a viver em lugares isolados, são ameaçadas com espancamentos, ficam presas inclusive durante a noite para que não fujam e são forçadas a trabalhar por longas horas, mesmo quando estão doentes, de acordo com as denúncias apresentadas às empresas.

Em 2001, a FDA queria aprovar uma legislação para a aplicação do selo “slave free” (sem trabalho escravo) nos rótulos das embalagens. Antes da legislação ser votada, a indústria do chocolate – incluindo a Nestlé, a Hershey e a Mars – usou o seu dinheiro para a parar, prometendo acabar com o trabalho escravo infantil das suas empresas até 2005. Este prazo tem sido repetidamente adiado, sendo de momento a meta até 2020.

A US Uncut também publicou uma lista das empresas de chocolate que decidiram evitar a exploração do trabalho infantil.
As 7 marcas de chocolate que utilizam cacau proveniente de trabalho escravo infantil são:

Hershey
Mars
Nestlé
ADM Cocoa
Godiva
Fowler’s Chocolate
Kraft


Documentário evidencia a exploração

O jornalista dinamarquês Miki Mistrati denunciou essa situação de barbárie no premiado documentário O lado negro do chocolate, visitando desde os pontos de tráfico de crianças nas fronteiras da Costa do Marfim até as plantações nas quais as crianças são escravizadas. No documentário uma criança que fugiu disse : “Vocês desfrutam de algo que foi feito com o meu sofrimento. Trabalhei duro para eles, sem nenhum benefício. Quando comem o chocolate estão a comer a minha carne.”

Algumas pessoas chegaram a reclamar em diversos sites sobre essa situação, ao site reclame aqui a empresa respondeu :

“O trabalho infantil não tem lugar em nossa de fornecimento e valorizamos todos os esforços para aumentar a conscientização sobre esta questão. Buscamos sempre o diálogo transparente e aberto sobre o combate ao trabalho infantil na de abastecimento de cacau e, apesar das complexas realidades existentes, acreditamos que progressos vêm sendo alcançados.

Procuramos continuamente melhorar nossos sistemas de gestão de suprimentos e criar novos mecanismos, conforme for necessário, como base para futuras ações com o objetivo de eliminar as causas do trabalho infantil. As atualizações anuais sobre os progressos realizados para implementar nosso plano de ação são disponibilizadas em nossos sites sobre Criação de Valor Compartilhado (www.nestle.com/csv), e Cocoa Plan.(www.nestlecocoaplan.com). ”

Enquanto isto, o número de crianças que trabalham na indústria do cacau aumentou 51% entre 2009 e 2014, segundo um relatório de julho de 2015 da Universidade Tulane.

Fonte : (Com informações do site Greenme.com.br)

Veja Aqui: Um fato intrigante

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Monilíase: A iminente ameaça ao cacau baiano

A partir dos próximos dias seja intensificada uma campanha de prevenção, principalmente na Bahia
por Alex Ferraz

Foto: Reprodução




Pesquisadores do Ministério da Agricultura, da Ceplac e alguns estrangeiros seguem estudando intensamente a monilíase .A monilíase do cacaueiro é uma doença fúngica descoberta em países do noroeste da América Latina e também da América Central, sendo constatada pela primeira vez no Equador, em 1900. Ataca somente os frutos do cacaueiro e tem como o agente causal o fungo Moniliophthora roreri, apresentando grande importância econômica, pois além de já ter provocado perdas na produção mundial de aproximadamente 30 mil toneladas, gera anualmente quedas que variam de 30 a 70% na produção da Colômbia e Venezuela, podendo comprometer também de 30 a 90% de toda a produção da América Tropical (América Central e Latina).
Embora ainda não tenha sido constatada em território brasileiro, a Monilíase do cacaueiro é encontrada em 11 países da América Tropical, sendo que alguns são fronteiriços com o Brasil como, o Peru, Colômbia e Venezuela. A doença é considerada quarentenária ausente no Brasil, e de acordo com a Legislação sanitária vigente no país “sua introdução pode provocar profundos desequilíbrios em ambientes agrícolas, urbanos e naturais, com reflexos econômicos, sociais e ambientais causados pelo desemprego, perda de renda no meio rural, e desmatamentos, considerando o caráter conservacionista da cultura do cacau” (MAPA, Marco referencial do plano de contingência para moníliase do cacaueiro).
 Uma praga iminente que ameaça seriamente os produtores de cacau da Bahia, que não faz muito tempo conseguiram ficar amenizar os efeitos de outra praga que se instalou na cacauicultura baiana a partir de 1989, a Vassoura de Bruxa (Moniliophthora perniciosa). 
Nos próximos dias, de acordo com informações do programa Bahia Rural, a Ceplac estará lançando uma cartinha orientando os produtores como prevenir a doença. 

Segundo a Ceplac, a monilíase é causada pelo fungo Moniliophthora roreri, que infecta os frutos do cacaueiro em qualquer estado de desenvolvimento, principalmente aqueles com até 90 dias. “O patógeno não ataca a parte aérea da planta como acontece com a vassoura-de-bruxa, mas seus danos econômicos variam entre países e regiões onde existe, já que fatores climáticos favorecem sua dispersão nas regiões mais quentes e úmidas, quando completa o ciclo com rapidez. Um fruto infectado pode produzir sete bilhões de esporos. O vento é o principal vetor de disseminação.”

Os pesquisadores indicam que o fungo Moniliophthora roreri já está presente na Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, além de países da América Central, e surge como ameaça de introdução da doença no Brasil. O risco de disseminação é grande, pois, como são esporos, podem ser trazidos até mesmo presos em roupas, calçados ou mesmo na pele de pessoas que tenha tido contato com cacaueiros infectados.

Na verdade, o trabalho de prevenção à moníliase do cacaueiro foi iniciado na Ceplac desde 2007, com várias ações através de cursos e visitas técnicas. No entanto, prevê-se que já a partir dos próximos dias seja intensificada uma campanha de prevenção, principalmente na Bahia.

MAIOR AMEAÇA
Na Classificação do Ministério da Agricultura, a monilíase é a maior ameaça à cacauicultura nacional, e tem “alto risco” de infectar a produção brasileira do fruto. A doença é considerada mais devastadora do que a vassoura-de-bruxa e que avança a uma média de 100 quilômetros por ano.

“O risco de entrada da doença é alto, principalmente pela região Norte. Por isso, estamos desenvolvendo planos de contingência, monitorando as fronteiras e preparando os produtores para cuidar de possíveis infecções”, explicam técnicos do departamento de sanidade vegetal do Ministério da Agricultura.

A doença já está instalada fortemente no Peru (mais de 80% das plantações de cacau estão infectadas) e, em menor quantidade, na Colômbia e na Venezuela, todos eles vizinhos do Brasil. Outros países latino-americanos que não fazem fronteira e possuem forte incidência da monilíase são Equador, México, Costa Rica, Panamá, Nicarágua e Honduras.

Lesão no fruto
A monilíase tem traços semelhantes à vassoura-de-bruxa: ambas são causadas por fungos e apresentam, no estágio inicial, lesões escuras na superfície do fruto, que depois evoluem para manchas esbranquiçadas e deixam o cacau ressecado, duro e pesado. Para ser identificada com exatidão, é necessário fazer um corte na superfície do fruto e aguardar cerca de três dias, quando o fungo causador sairá através do corte e, então, será possível ser analisado em laboratório.

Adaptado para o blog "cacau do Brasil".

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Brasil traz cacau sustentável ao Salão do Chocolate de Paris




O 20° Salão do Chocolate acontece de 29 de outubro a 2 de novembro, em Paris.
REUTERS/Gonzalo Fuentes


Ontem,  quinta-feira (29), no Parque de Exposições de Versalhes, em Paris, o 20° Salão do Chocolate abriu  as portas para receber mais de 500 participantes, dos quais 200 chefs franceses e internacionais, e expositores vindos do mundo todo. O Brasil está presente com produtores de diversos Estados.


O 20°Salão do Chocolate é considerado o evento mais importante de um setor cuja única crise é a perspectiva da futura falta de cacau em 2020, diante da demanda crescente dos consumidores, cerca de 40% no ano passado, principalmente dos países emergentes. E mesmo se este cenário é sinônimo de pagar mais pela delícia, os amantes de chocolate estão dispostos a se sacrificar por este prazer. Para dar uma ideia, em 2013 foram consumidas mais de 4 milhões de toneladas de cacau no mundo, 32% a mais do que há dez anos.

Setenta por cento da produção mundial de cacau vem do Oeste da África: Costa do Marfim, primeiro produtor, Gana, Nigéria e Camarões, além da Indonésia e, é claro, o Brasil. E no Brasil se destaca a Bahia, Espirito Santos, Mato Grosso, Pará e Rondônia.

Patrimônio universal



Vestido de chocolate criado para o Salão de 2013, estará nos desfiles deste ano.



A criadora e diretora do Salão, Sylvie Douce, conta que a programação de 2014 está intensa, com diversas atividades que vão desde ateliês com chefs renomados a concursos e exposições.

E para festejar os 20 anos da feira, o chocolate é homenageado como patrimônio universal: "Foi uma ideia do co-fundador do evento, François Jeantet, que parte do princípio que o chocolate é uma arte maior, é uma matéria, e assim como os fabricantes se superam nas formas, pensamos que seria interessante o chocolate se revelar enquanto escultura.

Um exemplo é o King Kong exposto, do chocolateiro de luxo Jean-Paul Hévin, e também os famosos vestidos de chocolate, modelados em telas.

Serão apresentados cerca de cem modelos criados nos últimos anos e que poderão ser vistos durante os cinco dias do Salão", diz a diretora.

Brasil

O Brasil é o quinto produtor mundial e o sistema Cabruca, utilizado pelos produtores da Bahia, Espírito Santo e Pará, é muito apreciado pelos europeus. O sistema respeita a agricultura tradicional e consiste em plantar o cacau sobre a sombra das árvores; não desmata e alia produção ao respeito pela biodiversidade.

O Brasil é representado todos os anos por um estande que reúne produtores de diversos Estados trazidos pela Associação dos Produtores de Cacau. 
A Bahia está na primeira posição, seguida pelo Pará, Amazônia, Rondônia, Espírito Santo e Mato Grosso.

Leandro Almeida, diretor de operações do fabricante baiano de chocolate premium Mendoá, explica que a empresa também emprega a forma tradicional do sistema Cabruca. A Mendoá participa pela primeira vez do Salão com seu próprio estande: "A expectativa sempre é muito boa porque nós somos, além de produtores de chocolate, produtores de cacau, e isso tem muito a ver com o Salão. Temos toda a cadeia produtiva, do cacau ao chocolate. Então é uma coisa nova para o Brasil, saindo da produção de commodity para a produção de um chocolate fino", diz Leandro.

O empresário lembra que o Brasil já foi o segundo produtor mundial de cacau e hoje tenta competir com os maiores fabricantes do mundo. "Estamos aqui para conhecer o mercado de venda europeu no segmento de chocolate de luxo e entrar em lojas de delicatessen e empórios".

Sucesso

O Salão, como vocês podem imaginar, atrai milhares de pessoas, além dos profissionais envolvidos no setor.

Com novidades em cores e sabores, criações atrtísticas e experiências sensoriais, a feira promete deliciar os 130 mil visitantes esperados neste ano.

O Salão do Chocolate acontece de 29 de outubro a 2 de novembro, no Parque de Exposições de Versalhes, em Paris.


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Seagri alerta para riscos de pragas na importação do cacau

Foto: Ed Ferreira
Visando assegurar a proteção fitossanitária da agropecuária baiana, a Secretaria da Agricultura da Bahia (Seagri), através de sua Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), alerta para os riscos da importação de cacau via Porto de Ilhéus. Por se tratar da principal região produtora de cacau, o risco de introdução e estabelecimento de pragas exóticas nas lavouras baianas é eminente. As ameaças estão expressas na nota técnica apresentada durante o debate sobre a cacauicultura na Bahia, promovido pela Comissão de Agricultura e Política Rural da Assembleia Legislativa (Alba), presidida pelo deputado Vitor Bonfim. O relatório foi produzido pela comissão técnica constituída pela Adab, e formada pelos nove órgãos ligados à cultura do cacau na região, além de representantes dos produtores e do Ministério Público (MP), e será encaminhada ao Ministério da Agricultura (Mapa).
 
A nota técnica aponta para o risco de introdução de pragas como a Striga spp, Trogoderma granarium e uma espécie de Podridão-parda, que não existem nas plantações brasileiras. “A Striga spp., por exemplo, mais conhecida como ‘erva bruxa’, possui grande potencial de devastação em diversas culturas, com significativa importância econômica para o País, como cana-de-açucar, milho, trigo, café, entre outros. A ameaça de disseminação da Striga na região do Litoral Sul da Bahia é ainda maior, já que possui condições edafoclimáticas favoráveis à proliferação dessa praga em todo o território”, explica a coordenadora do Programa de Prevenção à Monilíase da Adab, Catarina Matos Sobrinho.
 
A revisão dos Atos Normativos sobre Análise de Riscos de Pragas (ARPs); a mudança do ponto de entrada no Brasil das importações para locais onde não exista o cultivo de cacaueiros, com infraestrutura quarentenária adequada; controle da entrada e trânsito de sacarias e realização de estudos para desenvolvimento de produto que substitua o brometo de metila em tratamentos quarentenários. Essas foram algumas das deliberações necessárias apontadas pelo comitê no relatório.
 
Ficou acordada na reunião da Alba, a formação do Grupo de Apoio ao Cacau na Comissão de Agricultura da Alba, coordenado pelos deputados Pedro Tavares, Eduardo Salles e Aderbal Caldas. A revisão do Drawback (importação de insumos para reexportação com isenção de impostos) e endividamento e disponibilização de crédito novo para os cacauicultores baianos, também são pontos cruciais, que fazem parte das necessidades reivindicadas pelos produtores de cacau.