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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Na BA, 90% da produção de cacau vem da agricultura familiar, diz governo estadual


Durante o Fórum Estadão - A Importância do Cacau para o Agronegócio, representantes da Bahia e Pará falaram sobre as safras do produto

Na Bahia, 90% da produção cacaueira é proveniente da agricultura familiar, afirmou o secretário estadual de Desenvolvimento Rural, Jerônimo Rodrigues. Ele participa, nesta quinta-feira, 10, do Fórum Estadão - A Importância do Cacau para o Agronegócio, realizado em São Paulo, no auditório do Estadão.

O representante afirmou ainda que a cultura, no passado, enfrentou uma série de dificuldades, como a doença vassoura-de-bruxa - provocada por um fungo - e que, agora, para que haja um crescimento da produção, é necessário que os produtores invistam em tecnologia.

"É possível que tenhamos mais desafios com implementação de programas de assistência técnica, de financiamento", disse. Ele afirmou que o governo estadual anunciou recentemente a entrada de recursos para a melhoria da qualidade da produção local e que isso deve elevar a oferta no Estado.




A produção do Pará deve atingir 115 mil t da amêndoa em 2016

Pará. Com a safra encerrada em outubro, a produção de cacau no estado paraense deve atingir 115 mil toneladas, afirmou há pouco o secretário da Agricultura do Pará, Hildegardo Nunes. "A nossa produtividade já está acima de 900 quilos por hectare", afirmou. A indústria reluta em reconhecer os dados da produção, porque tem interesse na importação, inclusive no regime de draw back (importação para posterior exportação com maior valor agregado)", disse ele ao Broadcast Agro, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. Segundo ele, se não fossem os problemas climáticos recentes da Bahia, o País estaria hoje autossuficiente. A perspectiva dele para a safra 2017 do Pará é entre 120 mil e 125 mil toneladas.

Para  Nunes, o cacau é uma cultura estratégica para o desenvolvimento da economia do Brasil. "Precisa tirar da literatura e colocar na prática. Ele perdeu importância significativa no cenário econômico do País e isso precisa ser retomado", disse. No Pará, a produção cacaueira faz parte do "Plano Pará 2030". A estratégia reúne 14 cadeias produtivas que têm a meta de elevar o Produto Interno Bruto (PIB) per capita do Estado à média da renda brasileira até 2030. Atualmente, a renda per capita no Pará está na metade da renda média do País, segundo Nunes.

Segundo o secretário, a oferta de cacau no Estado está crescendo entre 10% e 11% ao ano desde 2011, quando a safra do Estado foi de 60 mil toneladas. "Até 2023, podemos atingir 240 mil t de amêndoa seca", disse. Ele aposta no potencial do Brasil como um exportador de cacau, mas ressaltou que é necessário haver igualdade de produção entre os países, citando as condições trabalhistas dos países africanos, sem entrar, porém, em detalhes. Ele abordou ainda os trabalhos de integração lavoura-pecuária e floresta (ILPF). "Serviços ambientais prestados dentro da cultura do cacau podem elevar a rentabilidade da cultura", disse.



domingo, 31 de julho de 2016

Apoio à modernização do cultivo de cacau


Produção de cacau em Gandu, na Bahia: segundo produtores, prêmio pela amêndoa certificada chega a cerca de 5%

O calor da lenha para secar as amêndoas de cacau já é história para Almir Rodrigues. Há três anos, o produtor baiano de Ibirataia aposentou sua tradicional secadora a lenha e investiu em uma estrutura ainda pouco conhecida pelos agricultores que se dedicam à lavoura do cacau: a estufa solar. E só essa mudança já foi suficiente para que Rodrigues conseguisse vender suas amêndoas a preços acima do mercado na Bahia.

A aposta foi feita quando a Nestlé deu início no país ao Cocoa Plan, um programa de incentivo a boas práticas na agricultura que começa a ganhar força. Além de oferecer assistência técnica a produtores que são – ou podem vir a ser – fornecedores, a companhia também paga um prêmio em torno de 5%, segundo produtores, pelas amêndoas que não foram contaminadas com fumaça, problema recorrente para quem seca o cacau nas fornalhas a lenha.

Ainda que a iniciativa de assistência técnica esteja separada da área comercial da multinacional suíça, o incentivo financeiro foi uma forma encontrada para evitar que o cacau recebido tenha rastros da contaminação, que prejudica a qualidade do chocolate.

Foi também esse prêmio aos agricultores locais que possibilitou à Nestlé prescindir neste ano de importações para garantir o abastecimento de amêndoas utilizadas na produção de seus chocolates no Brasil. No ano passado, a companhia trouxe de outros países 15% do cacau utilizado em sua produção. Dos cacauicultores brasileiros, comprou 7,5 mil toneladas de amêndoas, volume que deverá aumentar para 10 mil toneladas em 2016, 13 mil em 2017 e 16 mil em 2018.

A autossuficiência no país, alcançada mesmo em meio aos problemas para a produção do Nordeste provocados pela seca – uma das piores crises da cacauicultura nacional desde o ataque da vassoura-de-bruxa, na década de 1990 -, não é apenas um fim para a empresa. É um meio. Afinal, sua proximidade com as áreas de cultivo permite uma análise mais frequente e rigorosa da qualidade das amêndoas que estão sendo entregues.

"Foi um processo gradual. Vimos que a produção dessas regiões poderia dar conta", afirma Guilherme Junqueira, gerente da área de cacau da companhia. Há, obviamente, uma vantagem comercial na compra da amêndoa do Brasil. "O cacau nacional é mais barato, mas de melhor qualidade. Quando o cacau vem de fora, não sei quem foi o produtor ou como foi o cultivo", diz ele, que é engenheiro agrônomo.

Estufas solares e fermentação ajudam os cacauicultores a garantir uma amêndoa de melhor qualidade

A Cooperativa Agrícola Gandu (Coopag), um dos principais fornecedores da Nestlé na Bahia, recebeu, no ano passado, 1,9 tonelada de amêndoas de seus cerca de 600 associados que cultivam cacau. Metade desse volume foi secado em estufas solares, e a expectativa é que essa parcela aumente neste ano, conforme Ana Paula Sousa, que preside a cooperativa. "Hoje são poucos os que misturam [cacau com e sem fumaça]. Quando começou a ter preço diferenciado, melhorou", afirma.

Além da garantia da qualidade do produto, a estufa solar também reduziu o tempo que Almir Rodrigues e sua esposa gastam remexendo as amêndoas para areá-las, trabalho que pode ser feito duas vezes ao dia. "Quando a gente usava o secador de lenha, tinha que mexer de hora em hora", lembra o agricultor, que na época gastou R$ 8,5 mil com a estufa. Atualmente, os produtores pagam de R$ 12 mil a R$ 20 mil pelo equipamento.

O controle da qualidade do cacau pela Nestlé vem sendo azeitado pela relação mais direta entre a companhia e os produtores, com menor dependência de intermediários. Embora tenham uma ampla capilaridade em diversos rincões produtores, esses agentes acabam elevando os custos da cadeia e, não raro, misturam amêndoas de tipos diferentes, o que afeta a qualidade do chocolate.

"Nosso objetivo é eliminar o atravessador e ir direto para a indústria", diz a presidente da Coopag. Segundo Ana Paula, é comum que o intermediário pague abaixo do preço de mercado. A cooperativa já reduziu o volume que vende a intermediários de 80% para 40% do que negocia. A relação próxima com a Nestlé não implica exclusividade, mas a multinacional acaba sendo o destino prioritário das melhores amêndoas dos cooperados, devido ao prêmio oferecido.

Também tem sido importante para a Nestlé intensificar suas compras diretamente dos produtores. Se em 2012 a companhia adquiria 90% de suas amêndoas de comerciantes, agora apenas um terço da oferta vem de intermediários.







Outro processo importante para garantir uma boa qualidade da amêndoa é a fermentação, etapa anterior à secagem. Embora a Nestlé aceite cargas não fermentadas, os técnicos da companhia recomendam que os produtores montem coxos de madeira onde as amêndoas, ainda com a polpa, descansam por cerca de seis dias.

A gestão dessa etapa é feito em uma área experimental da Fazenda Ladeira Grande, uma das nove da M. Libânio Agrícola. Eimar Sampaio, diretor-geral da companhia, segura um termômetro para acompanhar a fermentação e decidir quando remexer as amêndoas e retirá-las dos coxos, que também ficam em estufas. "Essa estrutura ajuda a compensar a amplitude térmica do ambiente".

O controle do pós-colheita na M. Libânio, que também inclui uma seleção mecanizada das amêndoas, foi uma das características que a levou a receber duas certificações, a Rainforest Alliance e a UTZ. As certificações deixam as portas abertas para a M. Libânio fornecer matéria-prima ao mercado de chocolate gourmet na Europa. Atualmente, mais da metade do cacau produzido pela companhia é cacau fino, um tipo de amêndoa exclusiva para a produção de chocolate gourmet.

Além das exigências agronômicas, as certificadoras checam se os produtores estão cumprindo a legislação e as normas trabalhistas e ambientais. "A exigência para a certificação não é nada mais do que cumprir a legislação. Mas a maioria dos produtores ignora por falta de conhecimento", ressalta Sampaio.

Ainda não são todos os fornecedores de cacau da Nestlé que possuem certificação, mas o objetivo da multinacional é disseminar o selo UTZ através do Cocoa Plan. Esse esforço já fez com que, desde fevereiro passado, toda a amêndoa a ser utilizada este ano na produção dos chocolates da marca KitKat fossem certificados com o carimbo UTZ.

Uma das origens desse cacau certificado foi a Fazenda Boa Sentença, em Itabuna, que abriga 217 hectares com cacau cabruca, técnica de cultivo em meio a árvores nativas. Na fazenda, os cacaueiros são entremeados por espécies como o pau-brasil e o jacarandá. A propriedade é uma das 15 da Agrícola Cantagalo, da família de Ângelo Calmon de Sá.

A fazenda, que na temporada 2015/16 colheu aproximadamente 1,6 mil toneladas, conseguiu no fim do ano passado a certificação UTZ para atender às novas regras de produção do chocolate KitKat. A perspectiva é que o apoio técnico da Nestlé comece a dar mais resultados a partir da próxima safra. De acordo com Claudia Sá, gerente da Cantagalo, "é uma relação que não se limita à compra".

Fonte: Valor | Por Camila Souza Ramos | De Ibirataia, Gandu e Itabuna (BA) A jornalista viajou a convite da Nestlé

A polêmica moda de cheirar chocolate, que ganha adeptos na Europa


Sugerido por especialista, uso do pó de cacau vem se popularizando em festas alternativas, em meio a preocupações sobre possíveis efeitos tóxicos.


Morder um chocolate é capaz de levantar o ânimo de muita gente. Uma nova moda na Europa, no entanto, subverte essa ideia: alguns estão optando por aspirar o alimento em vez de devorá-lo.

O pó de cacau se transformou em uma alternativa que muitos dizem ser "saudável" para quem deseja ir para a balada sem tomar drogas. O uso vem aumentando em eventos alternativos europeus, em meio a preocupações sobre possíveis efeitos tóxicos.

Origem
A moda nasceu de uma ideia de um dos principais chocolatiers do mundo, o belga Dominique Persoone. Em 2007, ele criou um dispositivo para cheirar chocolate em pó, da mesma forma que drogas como cocaína são aspiradas.

A empresa de Persoone, a Chocolate Line, afirma já ter vendido 25 mil unidades do dispositivo. Cada "máquina de cheirar chocolate" vem com uma mistura para o consumidor aspirar. Persoone afirma que só conseguiu chegar à mistura certa após várias tentativas.
Dominique Persoone inventou um dispositivo para cheirar o cacau em uma mistura  (Foto: The Chocolate Line/Divulgação)

O chocolatier começou provando o cacau puro, mas percebeu que não era suficientemente forte. Então misturou o pó de cacau com pimenta malagueta, mas a mistura era dolorosa demais para se aspirar.

Finalmente ele conseguiu chegar ao que considerou a "mistura ideal": pó de cacau com hortelã e gengibre, colocado em um dispositivo com uma espécie de "lançador" em formato de colher que, acionado, dispara o pó para a narina.

"O hortelã e o gengibre ativam seu nariz. Daí o sabor deles diminui e o chocolate fica no cérebro", costuma dizer Persoone.

Euforia e efeitos colaterais
O cacau provoca uma injeção de endorfinas no sistema circulatório, o que pode resultar em euforia. Também tem doses altas de magnésio, o que relaxa os músculos, e de flavonoides, que melhoram a circulação e a função cognitiva, segundo estudo publicado pela Revista Americana de Nutrição Clínica.

Outro estudo, de abril de 2016, sugere que o chocolate amargo melhora o rendimento durante o exercício por deixar as pessoas mais rápidas e eficazes na realização de uma tarefa física.

No entanto, fica a dúvida: é perigoso aspirar o cacau? A pergunta ainda é difícil de ser respondida, já que não há registros de risco ou vício em pó de cacau. "Os efeitos de cheirar chocolate não foram estudados", disse Andrés Herane, médico psiquiatra que pesquisa depressão e estresse no King's College de Londres.

Mas isso não quer dizer que o pó de cacau seja totalmente inofensivo. "O chocolate tem muitas propriedades que o transformam em uma substância viciante e, obviamente, tem um efeito no cérebro", acrescentou Herane.

O médico afirma que há pesquisadores, inclusive ele, que acreditam que o chocolate deveria ser classificado como droga. "Há um efeito de busca compulsiva que implica que quem o consome precisa aumentar cada vez mais a dose para sentir o mesmo efeito de prazer."

E cheirar o chocolate tem um efeito muito mais imediato que comer. "Vai dos pulmões diretamente ao sangue, que o leva para o cérebro. É um efeito 'peak' (de auge) mais alto, mas com uma duração menor. Por isso, os que cheiram substâncias precisam fazer isso várias vezes em um período relativamente curto e têm maior risco de vício, porque a vida média (da substância no corpo) é mais curta", afirmou.

E isso sem levar em conta que o chocolate foi criado para ser comido, e não para ser aspirado. "Cheirar chocolate em pó não é seguro, porque (se trata de) uma substância estranha e tóxica no nariz", afirmou Jordan Josephson, otorrinolaringologista do Hospital Lenox Hill, de Nova York, consultado pela revista Science.

Festa
A tendência de cheirar chocolate começou a aparecer em algumas festas alternativas da Alemanha e do norte da Europa. Uma das mais famosas é a Lucid, no clube Alchemy Eros, de Berlim. Os frequentadores da festa, que acontece um domingo por mês, dançam até o dia seguinte com apenas um estimulante: o cacau.

"Não servimos bebidas alcoólicas, mas isso não significa que somos 'anti' tudo. Servimos vários remédios estimulantes, como o cacau puro", afirmam os organizadores no site da festa. A BBC entrou em contato Ruby May, principal organizadora da festa. E ela afirmou que não irá mais falar sobre o assunto.

May explicou que, depois de dar uma série de entrevistas, "fomos tão distorcidos que decidimos não dar mais nenhuma declaração". Há informações de que a tendência já tenha atravessado o oceano Atlântico até os Estados Unidos.

Bárbara Carreño, porta-voz do órgão de combate às drogas dos Estados Unidos, a DEA, disse que não pode interferir no uso de "substâncias não controladas (pela Lei de Controle de Drogas)", como é o caso do cacau.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Sedap busca mercados internacionais para o cacau paraense

Este ano, a produção paraense de cacau deve atingir 110 mil toneladas de amêndoas.
 

Este ano, a produção paraense de cacau deve atingir 110 mil toneladas de amêndoas. A meta é alcançar o mercado internacional.

O governo está começando a prospectar mercados internacionais para a produção paraense de cacau que, este ano, deve atingir 110 mil toneladas de amêndoas. O secretário de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca, Hildegardo Nunes, participa, nesta quinta-feira (30), em Brasília, de reunião na Embaixada da Bélgica para discutir a possibilidade de exportação de amêndoas dos tipos superior e fino para o mercado belga. A agenda do secretário na capital federal também inclui visitas às embaixadas do Chile, Colômbia, Equador e Costa Rica para convidar estes países para participarem do Festival Internacional do Cacau e Chocolate e Flor Pará, que serão realizados em setembro, em Belém.

Atualmente, quase toda a produção paraense – perto de 90% - é vendida para grandes empresas de tranding da Bahia. E é por meio destas empresas que o cacau paraense chega tanto ao mercado interno quanto externo. A meta da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) é, além de fazer com que um percentual cada vez maior da produção seja verticalizado dentro do próprio Estado, atraindo indústrias dos setores alimentício e de cosmético que utilizam o cacau como insumo para se instalarem no Pará, também vender as amêndoas paraenses diretamente para um dos mercados mais apetitosos dentro do segmento de chocolate que é dos produtos de qualidade superior.

Para ter dimensão do que a exportação destinada a abastecer o mercado internacional de chocolates finos pode acrescentar de renda aos produtores de cacau do Pará, basta saber que enquanto o cacau considerado comum é negociado em média a R$ 130 a arroba (15 quilos) o produto classificado como tipo superior pode atingir o preço de R$ 350 a arroba. Ou seja, o produtor pode quase triplicar os ganhos com a venda do cacau.

Ainda ontem,quinta-feira em Brasília, Hildegardo participa de reunião na Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para pedir apoio do governo federal para o programa de controle e prevenção da vassoura de bruxa e monilíase, que está sendo implantado pela Sedap em parceria com a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac). O programa visa assegurar a qualidade e a segurança fitossanitária das plantações de cacau do Pará.


Fonte: Agência Pará de Notícias



sábado, 4 de julho de 2015

ALERTA FITOSSANITÁRIO - MONILÍASE DO CACAUEIRO


MONILÍASE (Moniliophthora roreri) O agronegócio do cacau é um dos mais importantes para o Brasil por envolver cerca de 50.300 famílias, responsáveis pela geração de 500.000 empregos, diretos e indiretos e o país por ser um dos maiores consumidores de chocolate do mundo.

Os principais estados produtores são Bahia, Pará, Espírito Santo e Rondônia, responsáveis juntos por uma produção anual próxima de 200 mil toneladas.
A monilíase, ao contrário das outras pragas que atacam o cacaueiro, tem ação específica e direta nos frutos de cacau, portanto a percepção de perda na produção tem caráter imediato.

 O QUE É: 

A monilíase do cacaueiro é uma doença causada pelo fungo Moniliophthora roreri, praga de grande importância econômica na cultura do cacau pelo ataque direto nos frutos, causando prejuízos que variam de 50 a 100% na produção. 
De acordo com a legislação fitossanitária vigente, M. roreri é uma praga quarentenária ausente no Brasil e sua introdução pode provocar profundos desequilíbrios em ambientes agrícolas, urbanos e naturais, com reflexos econômicos, sociais e ambientais causados pelo desemprego, perda de renda no meio rural, e desmatamentos, considerando o caráter conservacionista da cultura do cacau.

Atualmente, a praga encontra-se restrita ao continente americano, estando presente em todos os países produtores de cacau da América Central, sendo a última constatação no México em 2005; e na América do Sul, no Equador e nos países fronteiriços com o Brasil: Colômbia, Peru, Venezuela e recentemente na Bolívia (2012), país que faz fronteira com o estado de Rondônia, terceiro maior produtor de cacau do Brasil .

 No Brasil, embora ainda não tenha sido constatada até o momento, apresenta-se como uma séria ameaça, pois levantamentos mais recentes constataram a praga em regiões próximas à fronteira do Brasil (Acre) com o Peru. A implantação e/ou pavimentação de rodovias interligando o Brasil com esses países (Peru, Venezuela e Colômbia) vem intensificando perigosamente o tráfego entre regiões afetadas daqueles países e regiões indenes de populações (espontâneas e/ou cultivadas) de cacau nos estados (Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima) fronteiriços do Brasil. As principais fontes do inóculo são os frutos infectados na árvore.

 A alta umidade relativa favorece a esporulação do patógeno que inicia em média uma semana após o surgimento dos sintomas, permanecendo intensa até dez semanas, quando a produção de inóculo cai para níveis insignificantes. Frutos mumificados que permanecem nas árvores de uma estação para outra, tem papel importante como fonte de inóculo inicial da praga. A disseminação dos esporos (fonte de inóculo) é realizada principalmente pelo vento, podendo as chuvas, terem um papel secundário na epidemiologia da praga. A longa distância a praga pode ser disseminada pelo transporte de frutos e veículos infectados, material vegetativo e embalagens contendo os esporos do fungo, que são viáveis em condições adversas até um período de nove meses. 

HOSPEDEIROS: 

Os únicos hospedeiros conhecidos do fungo Moniliophthora roreri estão dentro dos gêneros Theobroma e Herrania, da família Sterculiaceae (atualmente estes dois gêneros foram reclassificados dentro da família Malvaceae). 
As seguintes espécies têm mostrado susceptibilidade ao fungo seja em condições naturais ou artificiais: Theobroma augustifolium, 
Theobroma bicolor, 
Theobroma cacao, 
Theobroma grandiflorum, 
Theobroma mammosum, 
Theobroma simiarum, 
Theobroma sylvestre,  
Herrania balaensis, 
Herrania nítida, 
Herrania pulcherrima, 
Herrania purpúrea. 

SINTOMAS: 
O período de incubação do fungo é longo, variando de 40 a 90 dias, para o surgimento dos primeiros sintomas. Inicialmente são lesões irregulares de coloração marrom escura observadas nas superfícies dos frutos. Com o desenvolvimento da praga estas lesões coalescem, podendo no caso de infecções precoces, cobrirem toda a superfície do fruto (figura 2). Sobre as lesões, observa-se o desenvolvimento de um micélio de coloração branca, com grande quantidade de conídios. Após alguns dias, a coloração do micélio pode mudar para tonalidade creme, cinza ou marrom. Internamente, observa-se uma necrose generalizada das sementes, sendo a severidade deste sintoma mais acentuada quando a infecção ocorre em frutos jovens. 
As sementes necrosadas podem ficar aderidas umas às outras, dificultando sua remoção do interior dos frutos. Os sintomas da monilíase são semelhantes ao provocados pela vassoura-de-bruxa nos frutos de cacaueiro. Na ausência de esporulação de M. roreri, fica impossível uma distinção entre as duas pragas.
 CONTROLE: 
A monilíase é uma praga de difícil convivência, por não se dispor, até o momento, de técnicas eficazes para o seu controle. O manejo integrado é a forma mais eficiente de controle simultâneo das principais pragas do cacaueiro (Podridão Parda, Vassoura-de-bruxa e Monilíase): Tratos fitossanitários: remoção semanal dos frutos infectados que devem ser picados para facilitar a decomposição. Em contato com o solo, a praga tem a sobrevivência diminuída, em torno de três meses, devido à competição com outros microrganismos. 
O inóculo produzido nestes frutos, não possui a mesma eficiência de disseminação dos produzidos nos frutos infectados que permanecem na copa. Durante a estação de menor precipitação, recomenda-se remoção dos frutos infectados mumificados, que não tenham sido removidos durante o período de frutificação, a fim de diminuir o inóculo primário para o novo ciclo do fungo. A diminuição da umidade relativa no interior das plantações, através de podas das copas dos cacaueiros e das árvores de sombra, tem sido utilizada como uma forma de amenizar os efeitos da praga. 
Tratos culturais: roçagem, desbrota, poda/rebaixamento, adubação dos cacaueiros, drenagem e raleamento de árvores de sombra;

O QUE FAZER EM CASO DE SUSPEITA: A comunicação de suspeição de ocorrência de Moniliophthora roreri deverá ser feita diretamente à Superintendência Federal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento na unidade da federação, que deverá designar um fiscal federal agropecuário para realizar coleta de amostras e envio para laboratório credenciado no MAPA.

 Fonte : MAPA

quinta-feira, 2 de julho de 2015

INTERDIÇÃO DO PORTO DE ILHÉUS


Com o lema “é preciso mudar”. Os empresários do cacau no Sul da Bahia estão tentando se organizar com o intuito de formar um grupo entre eles para interditar o Porto Internacional de Ilhéus que fica na Baia do Malhado. Haverá uma reunião no sindicato rural de Ilhéus ,dia 08 de Julho de 2015 às 9:00hs onde será traçada a estratégia para o fechamento do Porto.

O intuito do movimento se atem a fechar o porto numa manifestação pacífica e impedir descarregamento da carga de cacau importado da África.

Eles desejam abrir espaço junto ao governo para negociar e apostam na pressão por meio do fechamento do Porto. A maior dificuldade vai ser conseguir números uma vez que a grande maioria dos “Empresários do Cacau” não vive nas proximidades da zona cacaueira e sim em outras plagas. Talvez se fechassem o porto Aratu reunisse mais gente, pois lá está a maioria deles.

O grande monstro regional é o deságio tem sido uma sangria constante na economia e no bolso dos empresários. O propósito maior é despertar o governo para os problemas da região:

O Drawback do cacau é a principal queixa dos empresários do cacau, eles desejam que seja reavaliado. O grito de desabafo é “Não à importação de cacau com qualidade inferior ao que produzimos”.

A FAEB (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia) a maior de representação desses, até o momento não se manifestou, isto é um sinal de que a ideia pode não eclodir. 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Origem única de chocolate brasileiro a competir ao lado Lindt e Godiva nos EUA





Duas empresas brasileiras de chocolate Harald e Nugali estão esperando para ir cabeça-a-cabeça com os maiores fabricantes de prémios no mercado dos EUA com o single de cacau origem de sua nação de origem.

Harald e Nugali Chocolates tinha sido previamente vendendo origem única de chocolate brasileiro no mercado doméstico, mas este ano vai expandir a distribuição para os EUA - o maior mercado de chocolates do mundo.

Exportando para o mercado dos EUA

Maitê Lang, diretor de Nugali Chocolates, disse ConfectioneryNews nos Sweets & Snacks Expo em Chicago no mês passado: "Os EUA é um mercado que está crescendo em chocolates gourmet - há mais fabricantes de sementes em casas de café."



Ela disse que os consumidores norte-americanos estavam exigindo guloseimas indulgentes com rótulos limpos e ingredientes naturais e disse era o momento certo para entrar os EUA "Os consumidores querem saber onde os produtos provenientes de e eles querem saber que há uma história e um respeito pelo meio ambiente e as pessoas ", disse ela.

Nugali tem vindo a produzir única origem de chocolate brasileiro desde 2006, principalmente para o mercado interno. No ano passado, começou a exportar para Emirados Árabes Unidos e no Japão e agora está à procura de distribuidores na América.

A empresa desenvolveu uma nova linha sob a sua gama única origem com mais sabores brasileiros, como o açaí. "É um esforço em sabores naturais brasileiros - que é o que queremos", disse Lang.

Harald entra maior mercado de chocolates do mundo


Harald, uma muito maior produtor brasileiro de chocolates com uma capacidade de 75.000 toneladas por ano, introduziu uma única origem linha de chocolate brasileiro no ano passado e lançou a marca em os EUA em março deste ano. Ele usa cacau, principalmente, da produção do sistema de cacau Cabruca.

Milena Boggia, gerente de comércio internacional da Harald, disse neste site a mudança para os EUA haviam sido altamente antecipado pela empresa, mas havia alguns obstáculos que não tinha preparado.

Ela disse que as fazendas no Brasil ainda estavam se adaptando às condições que devem ser considerados de cacau fino sabor, o que atrasou o lançamento nos EUA.

Prémio de 100% para o sabor de cacau fino brasileiro

"Há cerca de apenas quatro ou cinco fazendas, por isso não há, tanto quanto nós queremos. A capacidade é muito pequeno. Está crescendo, mas temos que pagar um prêmio de 100% para obter o cacau fino", disse Boggia, acrescentando que um dos Os produtos da Harald origem cacau de uma única fazenda.

"Não é apenas uma questão de trabalhar com origem única, mas fazendas individuais e que só fazem o uso de cacau fino", disse ela.




Cacau brasileiro cresce em regiões como a Transamazônica, Baixo Xingu, Pará e Bahia. "O que é mais plenamente no cacau brasileiro é o sabor frutado como a banana. É um pouco cítrico pouco, mas só um pouco", diz de Nugali Chocolate Maitê Lang.


O mercado mundial do cacau distingue entre "sabor fino» e «a granel» ou grãos de cacau comuns. Sementes sabor fino geralmente vêm de Criollo ou Trinitário variedades de árvores de cacau em vez de árvores Forasteiros comuns.

Pontos comparativos de preços

Na única origem de chocolate brasileiro da Harald US vendido a US $ 4 para um 100 g bar. " Nós estaríamos em torno do preço de Lindt e Godiva e as marcas premium - a maioria marcas europeias ", disse Boggia Em comparação, Walmart vende 100 comprimidos g Lindt Excellence para 2,38 dólares online..

Harald de já garantiu listagem em cadeias de supermercados tradicionais na Costa Oeste dos EUA através do seu distribuidor, que está localizado em Miami, mas tem um armazém em Virginia.




De acordo com o gerente de comércio internacional da Harald Milena Boggia, chocolate brasileiro que luta para competir na Europa Ocidental com a Swiss, belga e alemão empresas bem estabelecidas. "O Brasil é muito conhecido em todo o mundo para a produção de cacau, mas não tem qualquer tradição na produção de chocolate, " ela disse.


"Se você me perguntar:?. Estamos a ganhar dinheiro vendendo para os EUA Não, nós não somos Mas é algo estratégico para nós", disse Boggia.

Nugali também paga o dobro do preço de mercado para garantir Scavina 6 de cacau do Brasil. Seus produtos de varejo em os EUA em US $ 4,99 para bares 100 g."Nós pensamos que nós estivemos mais perto do agricultor, para que possamos ser mais competitivos", disse Lang

Ela disse Nugali se concentraria primeiro em canais especializados em os EUA, mas acrescentou: " Gostaria muito de competir com Lindt, eles têm uma grande marca e fazem grandes produtos. "

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Sem-terra reescrevem história do cacau no sul da Bahia



AGROECOLOGIA


Assentamentos substituem a lógica perversa da plantação de cacau dos coronéis pela construção coletiva de uma produção agroecológica


OZIEL ARAGÃO/MST

É previsto que o assentamento forneça o cacau fino, produto mais valorizado e de melhor qualidade

Ilhéus-Ba – Nos murais das escolas, nas estátuas, nas placas do comércio local. A importância do cacau na economia do território do litoral sul baiano está evidenciada pelas cidades que viveram o auge e declínio dos coronéis. A história de riqueza das grandes fazendas entra em colapso no final da década de 80 quando uma série de fatores como " El-ninho, inflação galopante, êxodo rural, queda dos preços na bolsas internacionais, elevados preços dos insumos e  a “vassoura-de-bruxa” abala a lavoura. Com a falta de experiencia em lidar o fungo  Moniliophtora perniciosa , ajudou a comprometer  a economia da região, ocasionando uma queda brusca da produção.

As grandes propriedades de terras foram abandonadas, após tentativa frustrada do governo em financiar a continuidade da produção. Foi assim que a “vassoura-de-bruxa” resultou no fim de um ciclo de riqueza do sul da Bahia . Na realidade quando a vassoura fora descoberta já havia instalado o desemprego na região, mas por falta de conhecimento e de pesquisa, a grande maioria dos jornais e dos proprietários atribuem à culpa a vassoura.

É neste cenário que as famílias expulsas das grandes propriedades de terra se unem enquanto MST para continuar a produção agrícola na região, ocupando os latifúndios abandonados pelos herdeiros dos coronéis e suas famílias. Na verdade a cultura do cacau sempre foi absenteísta, os proprietários sempre moraram fora da propriedade, do município e até em outro país . 
Os assentamentos Terra Vista e Nova Aliança, nas proximidades de Arataca, Ojeferson Santos e Loanda, próximos ao município de Itajuípe.
OZIEL ARAGÃO/MST

Em Terra Vista, uma história de tentativas e erros marcou o início do assentamento

Um dos mais antigos do estado, o Assentamento Terra Vista começou com 300 famílias que acamparam numa fazenda abandonada de 904 hectares, em março de 1992. A emissão de posse veio em 1995, junto com o desafio de estruturar a produção na fazenda.

Em Terra Vista, uma história de tentativas e erros marcou o início do assentamento. O MST buscou a produção de cacau, a piscicultura e o plantio de café, banana, mandioca e abacaxi (este último para a produção de doces, numa pequena fábrica montada no assentamento).

A área, porém, continuava devastada pela “vassoura-de-bruxa” e os investimentos do estado não chegavam para que se pudesse investir na área. Com isso, no final da década de 90, os assentados foram aos poucos perdendo a produção e a piscicultura foi abandonada. A história se transforma quando o Movimento, com o apoio da Cooperativa de Produtores Orgânicos do Sul da Bahia (Cabruca), começa a investir na produção orgânica.

A agroecologia e o selo orgânico

Para mostrar que era possível o caminho orgânico, o MST e o Cabruca fizeram um experimento. “Separamos um hectare do assentamento para cultivo de cacau feito de forma 100% orgânica. Em seis anos, os dados provaram a eficácia do método: saímos de 3,3 arrobas de cacau por ano para 92 arrobas”, relata Francisco Vilas, coordenador do assentamento.
OZIEL ARAGÃO/MST
Foram testados 10 tipos de clones de cacau e, após análise, foram selecionados os cinco melhores para a região

Foram testados dez tipos de clones de cacau e, após análise, foram selecionados os cinco melhores para a região. Atualmente, seis assentamentos na região possuem o selo de Inspeções e Certificações Agropecuárias e Alimentícias (IBD), que garante que o produto cultivado na área é produzido organicamente, ou seja, sem nenhum uso de produto químico.

Assim, toda a produção dos assentamentos (cacau, cupuaçu e hortaliças, por exemplo) pode ser comercializada com este selo. Reconhecido internacionalmente, o selo ajuda na valorização e comercialização da produção.

A produção orgânica também trouxe uma mudança na forma de pensar o produto final do assentamento. Antes, os produtores vendiam as amêndoas do cacau. A nova meta, por meio de uma parceria do Sistema Agro Florestal (SAF) com o Centro Estadual de Educação Profissional do Campo Milton Santos, prevê que o assentamento forneça o cacau fino, produto mais valorizado e de melhor qualidade.

Futuramente, o MST pretende ter a própria produção de chocolate, que hoje depende de parcerias externas. Para Solange Santos, uma das coordenadoras do assentamento, trata-se de uma nova visão da agricultura. “Mudamos a visão do coronel de plantar, colher e vender para uma visão que questiona o que foi plantado e como foi plantado, transformando os antigos hábitos, agregando conhecimento à nossa produção”, diz.

“Caminhamos agora para que a produção seja completamente agroecológica, o que significa cumprir o tripé: ser socialmente justo, economicamente viável e ambientalmente correto”, explica Anderson Oliveira, técnico do setor regional de produção.

No viveiro do Assentamento Terra Vista, cerca de 100 mil mudas são produzidas por ano, em sua maioria cacau, cupuaçu e plantas nativas. A região de floresta corresponde a quase um terço fazenda, sendo que regiões devastadas pelo antigo dono, como as áreas de matas ciliares e de morro, foram reflorestadas pelos assentados.

Também está sendo intensificada a produção própria de adubo orgânico, integrando todas as etapas da produção dentro do assentamento. Na produção específica do cacau, a forma como as amêndoas são secadas também está sendo uniformizada nos assentamentos, que aos poucos devem abandonar a secagem à lenha (que é feita com madeira certificada como própria) e o processo de barcaças (estruturas desenvolvidas para a secagem sem precisar de vapor), técnicas que serão substituídas pelas estufas, que já estão sendo montadas nos assentamentos. A meta é aumentar em quatro salários mínimos o rendimento mensal das famílias, fruto do aumento da produtividade previsto com o uso de novas técnicas.
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Produção do chocolate orgânico também ajudou a comunidade a conhecer melhor a atuação do MovimentoRelação com a comunidade

Os assentamentos possuem uma relação próxima às comunidades circunvizinhas. Isso se dá, por exemplo, por meio da participação no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Aderindo a este programa, a Reforma Agrária garante parte da merenda escolar dos municípios.

Os assentamentos também costumam integrar o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), ação do Fome Zero que disponibiliza alimentos produzidos pela agricultura familiar às populações em situação de insegurança alimentar. Dessa maneira, as famílias assentadas colaboram com nove entidades da região, ajudando a alimentar mais de seis mil pessoas.

A produção do chocolate orgânico também ajudou a comunidade a conhecer melhor a atuação do Movimento. “O cacau ficou desacreditado durante muito tempo, pois trazia a história de opressão dos coronéis e do desmatamento da mata nativa. Agora, com o reconhecimento da produção cacaueira, que vem também com o chocolate orgânico, renasce a história do cacau, sem os traços de antes”, diz Josival Borges, do Setor de Produção regional.

Em 2012, por exemplo, o chocolate orgânico produzido pelos sem-terra esteve presente na Rio+20 e no Salon du Chocolat (maior evento de chocolate do mundo), realizado em Salvador. Com o sucesso do produto, representantes do assentamento participaram do mesmo evento, no final de outubro, em Paris, na França.
Educação

Além da produção agrícola e seus produtos, o movimento interage com as comunidades e com os assentados por meio da educação. No Assentamento Terra Vista, a estrutura de educação atende às crianças e jovens do campo e das comunidades urbanas “Mudamos a visão do coronel de plantar, colher e vender para uma visão que questiona o que foi plantado e como foi plantado”, diz Solange Santos, do MST vizinhas. Na educação infantil, a Escola Municipal Florestan Fernandes atende a formação até o 5º ano.
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Para o nível médio e técnico profissionalizante, os estudantes frequentam o centro de educação

Para o nível médio e técnico profissionalizante, os estudantes frequentam o Centro Estadual de Educação Profissional do Campo Milton Santos, onde podem cursar Zootecnia, Agroecologia, Informática, Meio Ambiente e Agroextrativismo. O centro também possui uma sala de informática, por meio do programa estadual de Centros de Cidadania Digital.

“Os cursos profissionalizantes são abertos à comunidade vizinha, ajudando as cidades a ter acesso a essa educação. Nossa meta é não apenas criar mão de obra, mas sim profissionais qualificados capazes de ter uma posição crítica ao mundo”, diz Mara Ribeiro, coordenadora regional de educação do MST.

Fora do assentamento, há a oportunidade no ensino superior. Isso ocorre por meio do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). Em parceria com a Universidade Estadual da Bahia (Uneb) e com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), os sem-terra conseguem cursar a educação superior no curso de Agronomia.

Tendo como base o modo de vida no campo e suas singularidades, a pedagogia adotada nestes cursos é de alternância, o que permite conciliar o trabalho rural com os estudos.


Apesar das garantias conquistadas, o MST ainda enfrenta dificuldades na manutenção dos projetos. “Estamos sofrendo algumas perdas. Por exemplo, tivemos redução no apoio do governo a alguns projetos de educação. Internamente, essa perda se reflete na dificuldade de manter um trabalho de formação política dos formadores, o que configura um desafio para a organização do coletivo de educação no assentamento”, diz Mara Ribeiro.

O desafio a que ela se refere conta com algumas iniciativas. Mensalmente, durante dois dias, os assentados se reúnem em um seminário para planejar as atividades da produção agrícola. Este momento é estendido também para a educação, com espaço de formação na tentativa de aliar a educação ao trabalho. “Envolvemos as crianças nas tarefas da horta, além de dividirmos atividades entre todos: homens e mulheres. O momento também tem sido aproveitado como um espaço de reflexão do movimento”, diz Mara.

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Atualmente, a principal meta na educação é garantir que as escolas trabalhem em turno integral

Atualmente, a principal meta na educação é garantir que as escolas trabalhem em turno integral, possuindo atividades pedagógicas para o tempo livre. A estruturação da biblioteca do Centro Milton Santos também é um dos próximos passos a serem dados pelas famílias, com a finalidade de trazer ao assentamento atividades e cursos artístico-culturais.
Uma nova história para o cacau

Os assentamentos representam uma radical mudança no cenário da produção agrícola local. O assentado Cipriano Ventura dos Santos, do Assentamento Ojeferson Santos, assistiu às mudanças de perto.

“Na época dos coronéis, a gente era quase cativo, sem nenhuma regalia. A gente vendia o dia para comer e não tinha direito de fazer nem uma roça”, diz Cipriano, que começou a trabalhar com 11 anos nas lavouras de cacau, recebendo um cruzeiro por dia. “Hoje eu ganho mais e administro meu tempo, sem nenhum cabo de turma”, completa.

No tempo dos latifundiários do cacau, a educação não fazia parte dos planos dos trabalhadores. “Meu pai não tinha condição de me por na escola, dizia que escola de menino era a roça. Quando aprendi a escrever meu nome, eu já era pai. Hoje, meus filhos sabem ler”, relata Santos.

João da Silva Meira, assentado do Ojeferson Santos, também trabalhou nas plantações de cacau dos coronéis. “Hoje a vida está bem melhor, porque a gente não precisa trabalhar para os outros e ainda ajuda o abastecimento da cidade. Mas ainda precisamos que o governo nos dê crédito e fortaleça as políticas públicas aqui, falta olhar com mais atenção para a nossa realidade”, diz.
OZIEL ARAGÃO/MST

Assentamento de Cipriano busca parcerias para que o investimento na produção orgânica continue na região

A nova história do cacau promete novos frutos. O assentamento de Cipriano, por exemplo, busca parcerias para que o investimento na produção orgânica possa ser continuado na região, bem como estrutura para que outros cultivos ajudem na renda do trabalhador rural, a exemplo da produção de farinha de mandioca. Já o Terra Vista e Nova Aliança buscam ampliar a produção agroecológica e introduzir novas tecnologias que ajudem neste caminho.

A luta do MST vem, portanto, trocando a roupa do coronelismo, da concentração de riqueza e do latifúndio do passado da região por uma história de integração, agroecologia e educação para os trabalhadores rurais.

por Ana Maria Amorim, do MST /Adaptado por o photossintese

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Cultivadores de cacau reflorestam Amazônia brasileira


Darcírio Wronski mostra as amêndoas de cacau secando ao sol no pátio de sua casa, com as quais elabora manteiga de cacau. Sua família é uma das 120 agrupadas em seis cooperativas que elaboram cacau orgânico na região de Medicilândia e Altamira, no Estado do Pará. Foto: Mario Osava/IPS

Medicilândia, Brasil, 10/6/2015 – “Agora nos damos conta do paraíso em que vivemos”, reconheceu Darcírio Wronski, líder dos produtores de cacau orgânico na região onde a rodovia Transamazônica cruza a bacia do rio Xingu, no norte do Brasil. Além do cacau, em seus cem hectares ele cultiva banana, cupuaçu (Theobroma grandiflorum), abacaxi, maracujá (Passiflora edulis) e outras frutas, nativas ou não.

Com as frutas, sua mulher, Rosalina Brighanti, prepara geleias, que são tentações por si mesmas, ou recheios de barras de chocolate, que ela e seus ajudantes produzem artesanalmente. Tudo com certificado orgânico.

Mas era mais parecida com o inferno a realidade que ambos enfrentaram nos anos 1970, quando migraram separadamente do sul do Brasil para Medicilândia, município que se apresenta como “a capital nacional do cacau”, onde se conheceram, se casaram em 1980 e tiveram quatro filhos, que hoje trabalham com eles na propriedade.

Vieram para a Amazônia devido à publicidade enganosa do governo, na época uma ditadura militar, que prometia muita terra com toda a infraestrutura e os serviços de saúde e educação em assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O objetivo era ocupar a Amazônia, considerada um vazio demográfico vulnerável a invasões e manobras internacionais, que poderiam tirar do Brasil a soberania sobre o imenso território de selvas, rios e possíveis riquezas minerais.

A Transamazônica – uma estrada projetada para percorrer 4.965 quilômetros cruzando horizontalmente o país desde o nordeste até o extremo oeste – seria um eixo dessa integração amazônica à nação, ao longo do qual se assentaram milhares de famílias rurais, procedentes de outras regiões do país. Inconclusa, sem pavimentação nem pontes adequadas, a estrada logo ficou intransitável em muitos trechos, especialmente na época das chuvas.

Os assentados ficaram abandonados, praticamente isolados, e provocando um extenso desmatamento. Medicilândia é produto desse processo. Seu nome homenageia o general e presidente Garrastazú Médici (1969-1974), que inaugurou a Transamazônica em 1972. O lugar surgiu no quilômetro 90 da rodovia, se expandiu até ser reconhecido como município, em 1989, onde agora vivem cerca de 29 mil pessoas.
Rosalina Brighanti, conhecida como Dona Rosa, em sua cozinha, onde prepara doces, com o cartaz dos chocolates orgânicos, feitos sob padrões especiais da família, reconhecidos por consumidores e comerciantes no Brasil e no exterior. Foto: Mario Osava/ IPS
“Para os pioneiros da colonização foi uma tortura. Aqui não tinha nada para se comprar ou vender. Para comprar alguns alimentos tínhamos que viajar até Altamira, a cem quilômetros por estrada sem asfalto”, recordou Rosalina, de 55 anos, mais conhecida como Dona Rosa.

Natural do Estado de Santa Catarina, onde seu pai tinha uma pequena propriedade, impossível de dividir entre os dez filhos, Wronski buscou o “sonho amazônico”. Após fracassar com cultivos tradicionais como arroz e feijão, acabou comprando uma área e plantando cacau, um cultivo local incentivado pelo governo. Sua opção pela produção orgânica acelerou o reflorestamento de suas terras, onde antes se cultivava cana-de-açúcar.

O cacau agora aparece como alternativa para geração de empregos e de renda para mitigar o desemprego local, quando terminar a construção de Belo Monte, a gigantesca hidrelétrica sobre o rio Xingu, localizada perto de Altamira, principal cidade da região que engloba 11 municípios. Suas primeiras turbinas devem gerar energia a partir deste ano, e as últimas em 2019.

A atração de empregos fixos nas obras de Belo Monte tirou mão de obra do cacau. “Isso provocou a perda de 30% na colheita de cacau de Medicilândia este ano”, contou Wronski à IPS durante uma visita à sua plantação. “Conheço uma família que tem 70 mil cacaueiros cujo filho trabalha em Belo Monte e não na colheita”, disse este produtor de 64 anos. A expectativa é que os trabalhadores voltem ao cacau quando se intensificarem as demissões nas construtoras, com a proximidade do final das obras.

Para a manutenção das plantações são suficientes as famílias que vivem nas propriedades, mas a colheita exige mão de obra adicional. Essa situação não preocupa o casal Wronski-Brighanti. Em sua propriedade vivem seis famílias, duas de parentes e três de meeiros, que trabalham parcelas da plantação em troca de metade da colheita. Além disso, contam com trabalhadores ocasionais procedentes de uma agrovila vizinha, onde vivem cerca de 40 famílias, boa parte sem cultivos próprios.

As propriedades de cacau empregam muita gente porque “sua mão de obra é 100% manual, não há máquinas para colher e quebrar seus frutos”, explicou à IPS o técnico local Alino Zavarise Bis, da Comissão Executiva do Plano de Cultivo do Cacau (Ceplac), órgão estatal de fomento, assistência técnica e pesquisas.

Além de empregos e renda que mantêm as famílias no campo, o cultivo de cacau impulsiona o reflorestamento. Medicilândia ainda tem dois terços de população rural e, vista do ar, mostra ser um município que conservou suas florestas nativas. Isso ocorre porque os cacaueiros necessitam da sombra de árvores mais altas, para sua saúde e produtividade. Quanto estão crescendo, se usa a sombra de bananeiras, o que, por sua vez, aumentou muito a oferta local desse fruto.
Cacaueiro carregado de frutos, à sombra de algumas plantas de banana, na propriedade da família Wronski, no município de Medicilândia, no Pará, na Amazônia brasileira, onde os produtores orgânicos ajudam a reflorestar a região. Foto: Mario Osava/ IPS
“Temos o privilégio de trabalhar à sombra”, brincou Jedielcio Oliveira, coordenador comercial do Programa de Produção Orgânica, desenvolvido na região Transamazônica/Xingu pelo Ceplac, por outras instituições nacionais e pela Agência Alemã de Cooperação Técnica. Porém, a produção orgânica ainda é muito pequena, apenas 1% do total do Estado do Pará, onde fica Medicilândia e toda a área de influência de Belo Monte.

“São cerca de 800 mil toneladas anuais de amêndoas de cacau e um nicho de 120 famílias, agrupadas em seis cooperativas”, afirmou Bis. Wronski preside uma delas, a Cooperativa de Produção Orgânica da Amazônia, e acaba de ser eleito para encabeçar a Cooperativa Central, recém-criada para coordenar atividades, como a comercialização, das seis sociedades de produtores.

“O produtor orgânico deve ter um perfil distinto, mais sensível à preservação ambiental, à sustentabilidade. Enquanto o convencional objetiva a produtividade e os ganhos, o orgânico busca o bem-estar, a saúde familiar e a conservação da natureza, sem ignorar lucro, já que obtém preços melhores”, explicou o técnico do Ceplac.

Por essa razão, uma nova adesão só acontece por convite de um sócio da cooperativa, aprovação em assembleia e “um processo de conversão que dura três anos, tempo necessário para desintoxicar o solo”, que recebeu venenos e fertilizantes químicos, acrescentou Bis. “O sistema de produção tem de ser orgânico, não apenas o produto final”, ressaltou à IPS outro produtor de cacau, Raimundo Silva, de Uruará, município a oeste de Medicilândia, e responsável comercial pela nova Cooperativa Central.

O cacau orgânico do Pará abastece, por exemplo, o grupo austríaco Zotter Chocolates, que anuncia uma variedade de 365 sabores e a prática do comércio justo. No Brasil, tem entre seus clientes a empresa Harald, que exporta seus chocolates para mais de 30 países, e a companhia Natura Cosméticos.

A indústria, em geral, embora prefira a matéria-prima mais abundante e barata, agrega uma parte do orgânico, mais rico em manteiga, sempre que deseja produzir um chocolate de melhor qualidade. O cacau convencional, que usa pesticidas e outros produtos químicos, ainda domina o setor no Pará. Uma pequena fábrica de chocolate, a Cacauway, foi criada em 2010 em Medicilândia pela Cooperativa Agroindustrial da Transamazônica, formada por produtores não orgânicos.
O produtor de cacau José Tinte Zeferino, conhecido como Cido, diante de sua casa, escondida entre uma densa vegetação e rodeada por seus cacaueiros, no município de Brasil Novo, perto do rio Xingu e da rodovia Transamazônica. Foto: Mario Osava/IPS

“O futuro do cacau está no Pará, que reúne todas as condições favoráveis à sua produção, como chuva abundante, solos férteis e seu cultivo por agricultores familiares, que permanecem em suas terras, ao contrário dos grandes produtores que vivem nas cidades”, destacou Bis. O Pará ainda é superado pelo Estado da Bahia, que concentra dois terços da produção nacional de Cacau, mas a produtividade paraense alcança uma média de 800 quilos para cada árvore, o dobro da baiana, assegurou o especialista.

Além disso, os cacaueiros amazônicos convivem melhor com pragas como a vassoura de bruxa, que reduziu em 60% a colheita da Bahia na década de 1990. Nessa época, o Brasil era o segundo produtor mundial, mas caiu para sexto lugar, superado por países da África ocidental, Indonésia e inclusive o vizinho Equador.

De colonizador a reflorestador

José Tinte Zeferino, conhecido como Cido, de 57 anos, trouxe sua paixão pelo café do Estado do Paraná até a rodovia Transamazônica. Sendo inviável a cafeicultura, tentou vários cultivos e acabou como produtor de cacau orgânico em Brasil Novo, município vizinho a Altamira e ao rio Xingu. Mas agora sua paixão é florestal, as árvores enormes que plantou ou conservou em sua propriedade de 98 hectares, adquirida há 15 anos.

O cacaueiro exige sombra, mas Cido exagerou em sua dedicação à produtividade, segundo outros cooperativistas. “Produzo entre 2.800 e três mil quilos por ano, e com a vantagem do melhor preço do cacau orgânico, basta para viver”, afirmou. Sua alegria é contemplar árvores gigantescas e ter sua casa invisível para quem está na rodovia, ocultada pela densa vegetação. Ele radicalizou a conversão do colonizador em reflorestador amazônico.

* Fonte : Inter Press Service . Esta reportagem integra uma série concebida em colaboração com Ecosocialista Horizons.


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Cargill e Barry Callebaut serão responsáveis por mais de 50% do mercado de cacau

Barry Callebaut compra atualmente cerca de 1 milhão de toneladas de cacau por ano

A Cargill uma das principais comerciantes de cacau do mundo, está finalizando um acordo para comprar os negócios de cacau da Archer Daniels Midland (ADM) , segundo fontes ligadas diretamente as negociações, isso levará a criação de um preço global.

Combinando dois dos principais comerciantes de cacau do mundo a intenção é criar uma empresa grande o suficiente para competir com a Barry Callebaut , a maior fabricante mundial de chocolate industrial.


A Cargill e ADM estão elaborando os detalhes finais do acordo, segundo informaram as fontes, a compra será a segunda maior aquisição deste ano entre as indústrias, passando assim, o mercado a ser dominado por duas empresas.

"Como o mercado de cacau será agora dominada por tanto Barry Callebaut e Cargill, os pequenos jogadores precisam ser competitivos ou serão espremidos para fora do mercado", disse Vanessa Tan, analista de investimentos da Phillip Futures em Cingapura.

Os detalhes financeiros do acordo ainda não estão claros e nem foram divulgados pelas indústrias, embora algumas fontes afirmam que a unidade ADM pode valer até US $ 2 bilhões.

Em julho, a Barry Callebaut selou sua aquisição do cacau ingredientes divisão de Petra Foods por $ 860.000.000. "É muita consolidação. Isso não é bom para o mercado em geral", disse uma fonte ligada diretamente à indústria.

"Quando você tem muita concentração no mercado, é difícil para as pequenas empresas fazerem o dinheiro que eles precisam fazer. Por serem menores eles terão que implorar a Barry Callebaut e Cargill para comprarem suas amêndoas.”

ADM começou a procurar potenciais pretendentes para a empresa no ano passado, fontes disseram à Reuters, que a empresa anunciou que estava em discussões sobre uma possível venda em junho.


Um funcionário da ADM se recusou a comentar, bem como a Cargill também não quis se pronunciar, apenas emitiu uma breve declaração onde afirma que a empresa continua avaliando as iniciativas.

“Nós iremos nos comunicar quando houver algo definitivo", disse o porta-voz da Cargill através de e-mail.

"Cargill e Barry Callebaut combinadas serão responsáveis por mais de 50% da capacidade global. No futuro, os pequenos processadores, a exemplo, do Blommer nos EUA e os pequenos processadores da Ásia vão encontrá-lo mais forte e mais difícil de competir com os gigantes”, disse um revendedor de Cingapura, que tem uma unidade de moagem, na Indonésia.

Alguns analistas e banqueiros têm alertado para os problemas que deverão surgir com a fusão, especialmente na Costa do Marfim e Gana, dois principais produtores do mundo, onde ambas as empresas possuem processamento.

Um relatório de 2008 das Nações Unidas sobre a indústria do cacau mundial mostrou que apenas 10 empresas respondem por dois terços das moagens mundiais.

ADM tem instalações de processamento de cacau, nos Estados Unidos, Costa do Marfim, Gana, Singapura e Brasil.

Barry Callebaut compra atualmente cerca de 1 milhão de toneladas de cacau por ano, o que representa 25% da produção mundial de cerca de 4 milhões de toneladas. Alguns dos comerciantes estimam que a Cargill compre cerca de 600.000-800.000toneladas e ADM Cocoa em torno 500,000-600,000 toneladas.

Fonte: Reuters U.S