sexta-feira, 18 de julho de 2014

Más notícias para os viciados em chocolate

ECONOMIA


Consumidores vão sentir aumento do preço do cacau

A fábrica de chocolates na Pensilvânia, Hershey's, anunciou que ia proceder ao primeiro aumento de preços em três anos.

Na quarta-feira anterior a empresa referiu que o aumento seria de cerca de 8 por cento, devido aos custos de entrada voláteis.

«Os preços dos ingredientes como o leite e as nozes têm aumentado significativamente desde o início do ano», disse Michele Buck, presidente da chocolataria da América do Norte. E acrescentou que «tendo em conta estas tendências, esperamos aumentos significativos dos custos dos produtos lácteos em 2015».

A notícia do Financial Times avança que com o aumento dos preços do cacau, o principal ingrediente para a confeção de chocolate, era uma questão de tempo até ao aumento dos preços por parte das chocolatarias.

O aumento da procura em mercados emergentes e a recuperação do consumo na Europa e nos EUA coincidiu com as preocupações sobre a seca no oeste africano, empurrando os preços do cacau para valores superiores.

Os preços do cacau em Nova Iorque são quase 40 por cento mais elevados que há um ano, enquanto a manteiga de cacau, o ingrediente-chave nas barras de chocolate, aumentou cerca de 70 por cento.

Hershey¿s disse que a «elasticidade dos produtos de consumo diário e imediato» significava que o crescimento das vendas para o ano fiscal atual foi inferior à meta estabelecida de 5 a 7 por cento a longo prazo.

Por outro lado, ao suprimir a procura, os preços mais elevados tendem a incentivar a produção. Alguns corretores e analistas acreditam que, se os preços do cacau permanecerem nos níveis atuais - acima de 3.100 dólares a tonelada, em Nova Iorque e as 1.900 libras em Londres - os grandes défices de abastecimento previsto por muitos na indústria do chocolate podem não se materializar.

Os comerciantes aguardam a estabilização dos preços nos mercados, quando outras empresas da indústria já equacionam o aumento dos preços também.

Enquanto isso, os clientes da Hershey¿s podem continuar a obter os seus copos de manteiga de amendoim e chocolates aos preços antigos até 12 de agosto.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Dia Internacional do Cacau vai discutir Decreto da Cabruca e Parque Tecnológico


 

 

No próximo dia 27, a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) vai comemorar o Dia Internacional do Cacau. O evento será realizado no Auditório da Ceplac, no quilômetro 22 da rodovia Ilhéus/Itabuna, com o tema Cacau Cabruca: Modernização com Sustentabilidade. A ocasião, comemorada por todos os países produtores, ocorre a cada primeiro domingo de junho. Mas esse ano a festividade no Brasil foi adiada para que pudesse celebrar o maior avanço da cacauicultura baiana nos últimos tempos: o decreto 15.180, de 2 de junho de 2014.

O Decreto da Cabruca, como ficou marcado, será objeto de discussão em uma das  palestras  do  dia (Decreto Ambiental – Manejo do Cacau Cabruca),  a  ser  proferida  pelo  secretário  do  Meio Ambiente da Bahia, Eugênio Spengler. O outro tema, com igual importância estratégica para a cacauicultura regional, debatido em palestra da secretária da Ciência e Tecnologia  da  Bahia,  Andréa Mendonça, será o Parque Tecnológico do Sul da Bahia, com a palestra “A inovação e o cacau”.

Além dos dois secretários estaduais, participam do evento representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa),  da direção da Ceplac  em  Brasília,  deputados  federais  e estaduais, prefeitos regionais e secretários municipais de Agricultura e Meio Ambiente. Também participam produtores tradicionais e representantes da agricultura  familiar. Na  ocasião,  serão homenageados agricultores destaque do ano, nas modalidades Tradicional e Familiar.


De acordo com o superintendente da Ceplac na Bahia, Juvenal Maynart, o objetivo da comemoração é discutir e criar condições para entendimentos acerca de ações voltadas para a cacauicultura sustentável, em um ambiente especialmente voltado para técnicos, produtores de cacau, imprensa  e  autoridades  regionais. “É  um  momento  festivo,  mas  também  de  reflexão,  proposição  e prestação de contas à sociedade”, declara Maynart.

Ele destaca a participação de dois secretários de estado, que vão traduzir para o público o que se projeta com os dois principais temas da cacauicultura do futuro. “São  dois  temas  puxados  pela Ceplac: manejo da cabruca, em bases legais e ordenamento definidos, e o nosso parque tecnológico. Vamos mostrar e enfatizar que a geração de riquezas pode ser associada à sustentabilidade”.

PROGRAMAÇÃO

8h30min – Abertura
10h20min – Palestra “Decreto Ambiental – Manejo do Cacau Cabruca”  – Eugênio Spengler  - Secretário de Meio Ambiente
10h40min – Palestra “O Parque Tecnológico da Bahia” – O caso do Parque Tecnológico de Ilhéus - Andréa Mendonça – Secretária da Ciência e Tecnologia
11horas – Premiação Cacauicultor  do ano e agricultura familiar
12h30min - Encerramento
 
Assessoria de Comunicação da Ceplac 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Especialista tira dúvidas sobre o Decreto Cabruca






Dan Lobão afirma que o Decreto Cabruca é fruto do trabalho intenso de um determinado grupo de pessoas e propõe um modelo de agricultura sustentável


Após oito anos de luta, foi assinado no mês de junho o Decreto Florestal 15.180/2014, que pretende disciplinar, organizar e viabilizar o cultivo do cacau cabruca – tradicional sistema de produção do fruto na região sul da Bahia. O Decreto Florestal contém 142 artigos e apenas oito tratam da cabruca. Ainda assim, ele está sendo chamado de Decreto Cabruca, pela importância que representa para a região.

O engenheiro florestal, pesquisador da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) e professor da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), Dan Érico Lobão, em entrevista à TV Mercado, esclareceu os principais pontos do decreto, uma vez que muitos produtores ainda não tem pleno conhecimento sobre como serão beneficiados por ele.
Dan Lobão afirma que o Decreto Cabruca é fruto do trabalho intenso de um determinado grupo de pessoas e propõe um modelo de agricultura sustentável. “O Movimento Ambiental trouxe a legislação florestal pós-ECO 92 para o cacau. A intenção de conservar os remanescentes de mata atlântica era boa, mas a legislação não era compatível com o manejo da cacauicultura e isso o comprometeu, inviabilizando a agricultura. O Decreto Cabruca finalmente veio dar as regras do jogo num modelo de agricultura sustentável”.

Para o engenheiro florestal, o mais importante é a regra estabelecida para o manejo da cabruca, que visa aumentar a produtividade, e para o aproveitamento dos resíduos desse manejo. “Ainda faltam alguns detalhes, mas a regra básica já está colocada. Outro fator importante é que o decreto traz a responsabilidade para o agricultor. Na verdade, este é o grande mérito. Nós sempre tivemos a responsabilidade e sustentávamos o custo disso sem nenhum benefício. Agora podemos estabelecer os benefícios desse manejo, dessa conservação. Então, hoje o maior protetor desse decreto terá que ser o próprio cacauicultor”, destaca.

Segundo Dan Lobão, todos os produtores que trabalham com o cacau estão incluídos no decreto, tanto os que cultivam o cacau no modelo tradicional da cabruca, quanto os cultivam a pleno sol. “Esse decreto rege as regras, estabelece os padrões para a exploração comercial dos sistemas agroflorestais. No entanto, é necessário estar com a propriedade adequada ambientalmente, mas essa é uma obrigação que independe do decreto”, afirma.

Fiscalização
A fiscalização do Decreto Cabruca poderá ser feita através de drones ou chips. No entanto, a ideia básica é que todo o material que esteja numa área de manejo seja georreferenciada e informada à sociedade, através do Governo do Estado. A regra está mais dura, mais moderna, mas o produtor poderá ter lucros com o aproveitamento de recursos da propriedade, inclusive madeireiros.

Dan Lobão destaca que a partir de agora as regras estão nas mãos do agricultor. “O produtor sempre reclamou que fizeram regras duras para o jogo, mas agora elas estão nas mãos dele. É ideal que os agricultores que conhecem o decreto falem para aqueles que ainda não conhecem, comecem a se reunir, reativem os sindicatos e que estes sindicatos passem a atuar na fiscalização do nosso patrimônio. A cabruca foi reconhecida como um sistema que contribui com o desenvolvimento sustentável. O mundo busca hoje um modelo ideal de desenvolvimento sustentável e nós temos esse modelo aqui”, finaliza.
Fonte: Mercado do Cacau

Assista aqui a reportagem

Fonte mercado do cacau

Ceplac faz seleção de amêndoas para concurso de cacau fino e chocolate gourmet



Como parte da programação do VI Festival Internacional de Cacau e Chocolate, que será realizado de 24 a 27 de julho de 2014, no Centro de Convenções de Ilhéus, será organizada mais uma edição do Concurso de Cacau Fino e Chocolate Gourmet. Como em edições anteriores, a Ceplac será responsável pela classificação de amêndoas para  identificação  de  cacau  de  qualidade,
do qual se fabricam chocolates finos. 
As amostras classificadas pela equipe de especialistas da Ceplac, consideradas superiores, receberão um Certificado de Classificação e ficarão em exposição, devidamente especificadas com dados indicando sua origem, nome do produtor, variedade de cacau e a caracterização da classificação da amêndoa. Esse “mostruário”, além de atrair a atenção de compradores e chocolateiros, oportunizará a divulgação da melhoria da qualidade de cacau com a utilização de boas práticas de pós-colheita. 
Já em agosto, entre os dias 12 e 15 de agosto de 2014, será realizada   em São Paulo a Expo Brasil Chocolate, um evento que tem por finalidade buscar integração entre os  diferentes  elos  da Cadeia Produtiva do Chocolate, promovendo negócios e visibilidade das marcas de chocolate com ênfase na qualidade do cacau.  
Nesse evento, também em parceria com a Ceplac, ocorrerá o Concurso de Cacau Fino e Chocolate Gourmet 2014, onde os produtores participarão com amostras de cacau produzido dentro dos padrões técnicos de fermentação e secagem tecnicamente recomendadas. As amostras de cacau serão classificadas pela Ceplac e as melhores serão  transformadas  em  chocolates  que   serão avaliados por um corpo de jurados para indicação das três melhores.

Preparo das amostras
Os produtores interessados em participar dos dois eventos devem atentar para alguns cuidados básicos quanto ao preparo das amostras que pretendem inscrever. Elas deverão ser identificadas e acompanhadas do formulário (modelo anexo), devidamente preenchido. 
Cada produtor deverá mandar somente uma amostra conforme especificação: Para participar exclusivamente do evento de Ilhéus, deverão ser encaminhadas amostras de 5 kg de amêndoas até o  dia 18 de julho.
Para participar dos dois eventos ou exclusivamente do de São Paulo, a amostra a ser encaminhada deverá ser de 10 kg até o dia 18 de julho.
As amostras deverão ser entregues no seguinte endereço: Ceplac/Cepec/Fábrica de Chocolate, no km 22 da Rod. Ilhéus – Itabuna.
Maiores esclarecimentos podem ser obtidos pelo e-mail: nalice@cepec.gov.br ou pelo telefone 73 3214 3230/3235.
___________
Assessoria de Comunicação da Ceplac/BA
Texto: Domingos Matos
Foto: Águido Ferreira

Ribeirinha do Pará produz chocolate 100% cacau e faz sucesso com chefs renomados

 CACAICULTURA NO MUNDO



Produtos são orgânicos e atendem os mais altos padrões de qualidade

Produtos feitos com cacau da ilha do Combu (Foto: João Ramid/Editora Globo)
As margens do rio Guamá, em Belém (PA), escondem um chocolate tão simples e refinado que despertou o desejo de renomados chefs de cozinha. A responsável pelo segredo é Izete dos Santos Costa, mais conhecida como Nena, que mora na Ilha do Combu. Da capital até o local, são três quilômetros via popopó, uma embarcação comum no Estado.

A produtora foi descoberta pelo chef paraense Thiago Castanho, do Recanto do Bosque, e hoje as barrinhas de chocolate embaladas na folha do cacaueiro, cacau em pó, brigadeiros e nibs (granulado de cacau que cobre o brigadeiro) romperam as fronteiras do estado do Pará e abastecem o cardápio do premiado D.O.M., restaurante de Alex Atala, chef paulistano que figura entre os dez melhores do mundo.

Apesar da receita de família ser bem antiga, somente em 2006 ela começou a desenvolver o produto de hoje. Antes da produção, vendia apenas a amêndoa de dentro do fruto do cacau e fazia também biojoias para vender na cidade. A reviravolta aconteceu quando viu em uma feira de orgânicos na praça Batista Campos, em Belém, onde receitas de fundo de quintal eram sucesso de venda. Lembrou-se então que a família de seu esposo fazia para as festas uma barrinha de chocolate com o cacau colhido no quintal da casa.

As vendas foram um sucesso, mas para Nena ainda não estava bom. A amêndoa do cacau era moída no pilão, método trabalhoso e cansativo. Ao pensar em algo que moesse com menos esforço, encontrou no moedor de carne uma alternativa. Para sua surpresa a qualidade também melhorou. O grão ficava mais fino e o processo, mais higiênico. Com a máquina também conseguiu dar liga à massa sem precisar adicionar açúcar, criando uma fórmula de chocolate 100% cacau.
Nena exbe seu "ouro" no quintal de casa (Foto: João Ramid/Editora Globo)
Pensando em aumentar a sua gama de produtos, Nena decidiu resgatar os bombons recheados feitos com frutas da região como o bacuri e o cupuaçu, entre outras, que fazia anos atrás para vender nas feiras que participava. Porém, como sempre utilizou chocolate tradicional, não sabia como incorporar o novo chocolate feito em casa à receita.

Para ajudar, uma amiga pediu ajuda a Thiago Castanho, chef paraense reconhecido no país inteiro por suas invenções na cozinha contemporânea feitas com ingredientes do bioma amazônico. Logo ele apareceu na sua palafita, viu como Nena fazia seu chocolate e levou uma prova para testar nas suas panelas. Ele voltou com um pedido: não mude sua receita. Com isso, ela não aprendeu a mudar os bombons recheados, mas sim a utilizar o método convencional para sustentar a família, juntamente com as vendas do açaí que cultiva no quintal na entressafra do cacau.

Daí sua vida mudou. "O Thiago me colocou na sua mochila e me levou para o mundo", conta, orgulhosa. Logo seu chocolate saiu do anonimato das feiras orgânicas de Belém e ganhou lugar na lista de sobremesas de Alex Atala. Pena que na região ainda não seja assim. "Em Belém ainda são poucas pessoas que conhecem meu chocolate. Às vezes expomos em shoppings de alto padrão na capital e as pessoas se surpreendem com nossos produtos", conta.

Sobre sua produção cacaueira, Nena não sabe estimar quantos pés possui em sua propriedade de 14 hectares. Todos eles estão lá desde que ela "se entende por gente". Pretende nos próximos meses plantar mais pés de cacau de forma sustentável. Eles levam cerca de três a cinco anos para começarem a produzir. "Os técnicos da Emater estão estudando os melhores lugares para plantar entre os pés já existentes. A gente não vai interferir na mata local para poder preservar. É uma agrofloresta, temos que manejar o que existe, sem desmatar". Lena conta que conseguiu financiamento para aumentar a produção, mas ainda não sabe quantas mudas terá.
O brigadeiro tem "granulado" de cacau moído e as barrinhas de chocolate são embaladas na folha do cacaueiro (Foto: João Ramid / Editora Globo)
Atualmente, ela colhe cerca de 100 quilos por safra. É pouco, ela ainda precisa comprar cacau dos vizinhos. "Este ano tivemos uma baixa na produção aqui no meu terreno. Vou precisar comprar mais fora para atender à demanda pelos meus chocolates". O Pará figura hoje como segundo produtor de cacau do Brasil, ficando atrás da Bahia apenas.

Trabalhar com o produto não é fácil. Nena tem a "difícil" tarefa de comer o doce todo dia. "Tenho que experimentar, saber o ponto. Estou engordando, mas aqui ainda há briga para saber quem raspa a panela", diz, entregando a filha que espia a entrevista. Com essa árdua tarefa, uma coisa é certa. "Não temos tempo de esperar ficar triste para comer chocolate. O chocolate nos cura todo dia".

POR TERESA RAQUEL BASTOS, DE BELÉM (PA)

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Demanda crescente dos emergentes por chocolate eleva preços do cacau


Associated Press Guerreiros de terracota feitos de chocolate em um parque temático em Xangai, na China.

Há mais de dez anos, Anupama Amarnath aprendeu a fazer chocolate para seu marido, que tinha dificuldade em encontrar o produto em Bangalore, para satisfazer seus desejos.


Mas a demanda por seu chocolate, misturado e moldado em vários formatos, cresceu muito além de sua casa. Amarnath, de 50 anos, agora dirige uma cadeia de 11 lojas de varejo sob a marca Chocolate Junction na cidade indiana e suas proximidades e é dona de uma fábrica de chocolate de quase 1.000 metros quadrados.


Anos de rápido crescimento no consumo de chocolate na Índia e em outros mercados em desenvolvimento agitaram o mercado global de cacau de uma forma sem precedentes. Estima-se a fatia desses países nas vendas globais de chocolate este ano em 45%, de acordo com dados da firma de pesquisa de mercado Euromonitor. Há dez anos, era de 33%.


O apetite voraz nos países em desenvolvimento, da Índia até a Arábia Saudita e China, impulsionou este ano uma forte alta nos preços do cacau, o principal ingrediente do chocolate. Nos últimos dias, os contratos futuros de cacau, também sustentados pelo aumento do consumo nos mercados desenvolvidos, subiram para seus maiores níveis em quase três anos. Na Suíça, o maior consumidor per capita de chocolate do mundo, as vendas de chocolate devem subir 1,5% este ano, segundo estimativa da Euromonitor.


O aumento de 43% no preço do cacau nos últimos 12 meses até ontem fez do produto a segunda commodity com melhor desempenho no Índice de Commodities S&P GSCI, perdendo apenas para o níquel, que subiu 47%.


"A demanda dos mercados emergentes é a razão principal por trás do crescimento constante e consistente que estamos vendo no mercado de cacau", diz Sterling Smith, especialista em futuros do CitigroupC -0.08% em Chicago. "Existe demanda para elevar o preço ainda mais? Ah, sim."


Graças ao contínuo crescimento da renda nesses países, o chocolate passou de um luxo raro a um prazer acessível e seu consumo está se tornando um hábito diário. Essa mudança está sendo impulsionada por uma explosão de novos produtos, assim como melhorias na infraestrutura de transporte e refrigeração facilitaram a distribuição de barras de chocolate e bombons.


"Podemos colocar sua foto no chocolate, moldar o logotipo de uma empresa ou fazer buquês de chocolate, montados como uma flor", disse Amarnath. "Há uma grande demanda, contanto que seja de qualidade."


Muitos investidores e analistas afirmam ter notado como é grande a influência da demanda dos países emergentes no mercado de cacau de US$ 6,6 bilhões depois que os preços continuaram a subir apesar de informações no mês passado de que o principal produtor de cacau do mundo, a Costa do Marfim, está registrando uma safra recorde.


O cacau para entrega em julho, o vencimento mais próximo, terminou a terça-feira com alta de 0,6%, a US$ 3.134 por tonelada. Ontem, ele recuou um pouco, fechando em US$ 3.113. O contrato atingiu US$ 3.153 em 27 de junho, o maior nível registrado ao longo do pregão desde 22 de julho de 2011.


A alta nos futuros de cacau já levou os fabricantes de chocolate a aumentarem os preços em todo o mundo. A previsão é que um quilo de chocolate custe, em média, US$ 12,62 neste ano nos Estados Unidos, um aumento de 2% em relação ao ano passado e de 18% em comparação a cinco anos, segundo a Euromonitor.


Investidores e fabricantes de chocolate estão apostando que os chocólatras continuarão engolindo esses aumentos de preços. Gestores de fundos, fundos de hedge e outros investidores impulsionaram suas apostas na alta nos futuros de cacau em 45% nas últimas oito semanas, segundo a Comissão de Negociações de Futuros de Commodities.


A CFG Asset Management, uma consultoria de investimentos que administra cerca de US$ 335 milhões, comprou em novembro ações do papel negociado em bolsa da iPath Pure Beta Cocoa, um título que tem como objetivo seguir os preços do cacau. Matt Forester, o diretor de investimento da empresa, ampliou a posição em meados de junho, devido às preocupações com a oferta diante do aumento da demanda.


As vendas da Índia devem crescer 14% este ano, de acordo com as estimativas da Euromonitor. E a China é atualmente o oitavo maior consumidor de chocolate do mundo. Em 2010, ocupava o décimo lugar.


As vendas globais de chocolate devem atingir um recorde de 7,5 milhões de toneladas em 2014, tendo acelerado nos últimos três anos, segundo a Euromonitor.


Fabricantes multinacionais têm expandido suas linhas de produtos e comprado empresas locais. Em dezembro, a gigante americana Hershey Co., HSY -0.30% por exemplo, aceitou comprar a chinesa Shanghai Golden Monkey Food Joint Stock Co. para fortalecer sua presença no país asiático. A Hershey informou que espera que a China se torne o seu segundo maior mercado, após os EUA, em 2017.


Nem todos os especialistas de mercado acreditam que a demanda dos mercados emergentes continuará a subir, citando uma desaceleração que atingiu muitos mercados de câmbio, títulos e ações em economias em desenvolvimento.


"A demanda dos mercados emergentes deveria ser um ponto brilhante, e não vejo isso acontecendo se os indicadores econômicos tiverem qualquer correlação real com o consumo de chocolate", diz Judy Ganes, presidente da J Ganes Consulting LLC, uma empresa especializada nos setores agrícola e de alimentos. Ela especificamente apontou para indicadores de crescimento lento em grandes mercados como o Brasil e Índia.


Ainda assim, executivos de empresas de alimentos dizem que ainda há muito espaço para a demanda crescer, considerando as grandes populações e a relativamente baixa penetração desse mercado nos países mais pobres.


"Quando de cada dez indianos, entre oito e nove ainda não comem chocolate, existe uma oportunidade de crescimento", diz Mayur Bhargava, gerente geral de chocolate e doces daNestlé Índia 500790.BY -0.58% .





Na Ásia, o volume de sementes de cacau transformadas em ingredientes básicos, como cacau em pó e manteiga, cresceu 3,7% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com a Associação de Cacau da Ásia. Investidores consideram esses processadores de cacau indicadores da demanda. O próximo resultado deve sair este mês.


Em Pequim, no mês passado, Sun Ji, de 34 anos, gastou US$ 800 em chocolates na loja da Godiva Chocolatier para estocar para sua festa de casamento, em agosto. Não apenas sua família tem consumido mais chocolate no último ano, mas o produto se tornou um presente popular entre amigos e colegas, diz Sun, que trabalha no setor de tecnologia de informação, ressaltando que o aumento dos preços não deve reduzir o desejo pelo chocolate.


"O preço subiu um pouco este ano, mas aumentos de 20% ou mesmo de 30% não irão nos impedir de comprar", disse Sun.

Por  ALEXANDRA WEXLER e  BIMAN MUKHERJI
CONNECT
(Colaboraram Neena Rai e Dantong Ma.)

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Cargill e Barry Callebaut serão responsáveis por mais de 50% do mercado de cacau

Barry Callebaut compra atualmente cerca de 1 milhão de toneladas de cacau por ano

A Cargill uma das principais comerciantes de cacau do mundo, está finalizando um acordo para comprar os negócios de cacau da Archer Daniels Midland (ADM) , segundo fontes ligadas diretamente as negociações, isso levará a criação de um preço global.

Combinando dois dos principais comerciantes de cacau do mundo a intenção é criar uma empresa grande o suficiente para competir com a Barry Callebaut , a maior fabricante mundial de chocolate industrial.


A Cargill e ADM estão elaborando os detalhes finais do acordo, segundo informaram as fontes, a compra será a segunda maior aquisição deste ano entre as indústrias, passando assim, o mercado a ser dominado por duas empresas.

"Como o mercado de cacau será agora dominada por tanto Barry Callebaut e Cargill, os pequenos jogadores precisam ser competitivos ou serão espremidos para fora do mercado", disse Vanessa Tan, analista de investimentos da Phillip Futures em Cingapura.

Os detalhes financeiros do acordo ainda não estão claros e nem foram divulgados pelas indústrias, embora algumas fontes afirmam que a unidade ADM pode valer até US $ 2 bilhões.

Em julho, a Barry Callebaut selou sua aquisição do cacau ingredientes divisão de Petra Foods por $ 860.000.000. "É muita consolidação. Isso não é bom para o mercado em geral", disse uma fonte ligada diretamente à indústria.

"Quando você tem muita concentração no mercado, é difícil para as pequenas empresas fazerem o dinheiro que eles precisam fazer. Por serem menores eles terão que implorar a Barry Callebaut e Cargill para comprarem suas amêndoas.”

ADM começou a procurar potenciais pretendentes para a empresa no ano passado, fontes disseram à Reuters, que a empresa anunciou que estava em discussões sobre uma possível venda em junho.


Um funcionário da ADM se recusou a comentar, bem como a Cargill também não quis se pronunciar, apenas emitiu uma breve declaração onde afirma que a empresa continua avaliando as iniciativas.

“Nós iremos nos comunicar quando houver algo definitivo", disse o porta-voz da Cargill através de e-mail.

"Cargill e Barry Callebaut combinadas serão responsáveis por mais de 50% da capacidade global. No futuro, os pequenos processadores, a exemplo, do Blommer nos EUA e os pequenos processadores da Ásia vão encontrá-lo mais forte e mais difícil de competir com os gigantes”, disse um revendedor de Cingapura, que tem uma unidade de moagem, na Indonésia.

Alguns analistas e banqueiros têm alertado para os problemas que deverão surgir com a fusão, especialmente na Costa do Marfim e Gana, dois principais produtores do mundo, onde ambas as empresas possuem processamento.

Um relatório de 2008 das Nações Unidas sobre a indústria do cacau mundial mostrou que apenas 10 empresas respondem por dois terços das moagens mundiais.

ADM tem instalações de processamento de cacau, nos Estados Unidos, Costa do Marfim, Gana, Singapura e Brasil.

Barry Callebaut compra atualmente cerca de 1 milhão de toneladas de cacau por ano, o que representa 25% da produção mundial de cerca de 4 milhões de toneladas. Alguns dos comerciantes estimam que a Cargill compre cerca de 600.000-800.000toneladas e ADM Cocoa em torno 500,000-600,000 toneladas.

Fonte: Reuters U.S