quarta-feira, 17 de junho de 2015

Sem-terra reescrevem história do cacau no sul da Bahia



AGROECOLOGIA


Assentamentos substituem a lógica perversa da plantação de cacau dos coronéis pela construção coletiva de uma produção agroecológica


OZIEL ARAGÃO/MST

É previsto que o assentamento forneça o cacau fino, produto mais valorizado e de melhor qualidade

Ilhéus-Ba – Nos murais das escolas, nas estátuas, nas placas do comércio local. A importância do cacau na economia do território do litoral sul baiano está evidenciada pelas cidades que viveram o auge e declínio dos coronéis. A história de riqueza das grandes fazendas entra em colapso no final da década de 80 quando uma série de fatores como " El-ninho, inflação galopante, êxodo rural, queda dos preços na bolsas internacionais, elevados preços dos insumos e  a “vassoura-de-bruxa” abala a lavoura. Com a falta de experiencia em lidar o fungo  Moniliophtora perniciosa , ajudou a comprometer  a economia da região, ocasionando uma queda brusca da produção.

As grandes propriedades de terras foram abandonadas, após tentativa frustrada do governo em financiar a continuidade da produção. Foi assim que a “vassoura-de-bruxa” resultou no fim de um ciclo de riqueza do sul da Bahia . Na realidade quando a vassoura fora descoberta já havia instalado o desemprego na região, mas por falta de conhecimento e de pesquisa, a grande maioria dos jornais e dos proprietários atribuem à culpa a vassoura.

É neste cenário que as famílias expulsas das grandes propriedades de terra se unem enquanto MST para continuar a produção agrícola na região, ocupando os latifúndios abandonados pelos herdeiros dos coronéis e suas famílias. Na verdade a cultura do cacau sempre foi absenteísta, os proprietários sempre moraram fora da propriedade, do município e até em outro país . 
Os assentamentos Terra Vista e Nova Aliança, nas proximidades de Arataca, Ojeferson Santos e Loanda, próximos ao município de Itajuípe.
OZIEL ARAGÃO/MST

Em Terra Vista, uma história de tentativas e erros marcou o início do assentamento

Um dos mais antigos do estado, o Assentamento Terra Vista começou com 300 famílias que acamparam numa fazenda abandonada de 904 hectares, em março de 1992. A emissão de posse veio em 1995, junto com o desafio de estruturar a produção na fazenda.

Em Terra Vista, uma história de tentativas e erros marcou o início do assentamento. O MST buscou a produção de cacau, a piscicultura e o plantio de café, banana, mandioca e abacaxi (este último para a produção de doces, numa pequena fábrica montada no assentamento).

A área, porém, continuava devastada pela “vassoura-de-bruxa” e os investimentos do estado não chegavam para que se pudesse investir na área. Com isso, no final da década de 90, os assentados foram aos poucos perdendo a produção e a piscicultura foi abandonada. A história se transforma quando o Movimento, com o apoio da Cooperativa de Produtores Orgânicos do Sul da Bahia (Cabruca), começa a investir na produção orgânica.

A agroecologia e o selo orgânico

Para mostrar que era possível o caminho orgânico, o MST e o Cabruca fizeram um experimento. “Separamos um hectare do assentamento para cultivo de cacau feito de forma 100% orgânica. Em seis anos, os dados provaram a eficácia do método: saímos de 3,3 arrobas de cacau por ano para 92 arrobas”, relata Francisco Vilas, coordenador do assentamento.
OZIEL ARAGÃO/MST
Foram testados 10 tipos de clones de cacau e, após análise, foram selecionados os cinco melhores para a região

Foram testados dez tipos de clones de cacau e, após análise, foram selecionados os cinco melhores para a região. Atualmente, seis assentamentos na região possuem o selo de Inspeções e Certificações Agropecuárias e Alimentícias (IBD), que garante que o produto cultivado na área é produzido organicamente, ou seja, sem nenhum uso de produto químico.

Assim, toda a produção dos assentamentos (cacau, cupuaçu e hortaliças, por exemplo) pode ser comercializada com este selo. Reconhecido internacionalmente, o selo ajuda na valorização e comercialização da produção.

A produção orgânica também trouxe uma mudança na forma de pensar o produto final do assentamento. Antes, os produtores vendiam as amêndoas do cacau. A nova meta, por meio de uma parceria do Sistema Agro Florestal (SAF) com o Centro Estadual de Educação Profissional do Campo Milton Santos, prevê que o assentamento forneça o cacau fino, produto mais valorizado e de melhor qualidade.

Futuramente, o MST pretende ter a própria produção de chocolate, que hoje depende de parcerias externas. Para Solange Santos, uma das coordenadoras do assentamento, trata-se de uma nova visão da agricultura. “Mudamos a visão do coronel de plantar, colher e vender para uma visão que questiona o que foi plantado e como foi plantado, transformando os antigos hábitos, agregando conhecimento à nossa produção”, diz.

“Caminhamos agora para que a produção seja completamente agroecológica, o que significa cumprir o tripé: ser socialmente justo, economicamente viável e ambientalmente correto”, explica Anderson Oliveira, técnico do setor regional de produção.

No viveiro do Assentamento Terra Vista, cerca de 100 mil mudas são produzidas por ano, em sua maioria cacau, cupuaçu e plantas nativas. A região de floresta corresponde a quase um terço fazenda, sendo que regiões devastadas pelo antigo dono, como as áreas de matas ciliares e de morro, foram reflorestadas pelos assentados.

Também está sendo intensificada a produção própria de adubo orgânico, integrando todas as etapas da produção dentro do assentamento. Na produção específica do cacau, a forma como as amêndoas são secadas também está sendo uniformizada nos assentamentos, que aos poucos devem abandonar a secagem à lenha (que é feita com madeira certificada como própria) e o processo de barcaças (estruturas desenvolvidas para a secagem sem precisar de vapor), técnicas que serão substituídas pelas estufas, que já estão sendo montadas nos assentamentos. A meta é aumentar em quatro salários mínimos o rendimento mensal das famílias, fruto do aumento da produtividade previsto com o uso de novas técnicas.
OZIEL ARAGÃO/MST
Produção do chocolate orgânico também ajudou a comunidade a conhecer melhor a atuação do MovimentoRelação com a comunidade

Os assentamentos possuem uma relação próxima às comunidades circunvizinhas. Isso se dá, por exemplo, por meio da participação no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Aderindo a este programa, a Reforma Agrária garante parte da merenda escolar dos municípios.

Os assentamentos também costumam integrar o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), ação do Fome Zero que disponibiliza alimentos produzidos pela agricultura familiar às populações em situação de insegurança alimentar. Dessa maneira, as famílias assentadas colaboram com nove entidades da região, ajudando a alimentar mais de seis mil pessoas.

A produção do chocolate orgânico também ajudou a comunidade a conhecer melhor a atuação do Movimento. “O cacau ficou desacreditado durante muito tempo, pois trazia a história de opressão dos coronéis e do desmatamento da mata nativa. Agora, com o reconhecimento da produção cacaueira, que vem também com o chocolate orgânico, renasce a história do cacau, sem os traços de antes”, diz Josival Borges, do Setor de Produção regional.

Em 2012, por exemplo, o chocolate orgânico produzido pelos sem-terra esteve presente na Rio+20 e no Salon du Chocolat (maior evento de chocolate do mundo), realizado em Salvador. Com o sucesso do produto, representantes do assentamento participaram do mesmo evento, no final de outubro, em Paris, na França.
Educação

Além da produção agrícola e seus produtos, o movimento interage com as comunidades e com os assentados por meio da educação. No Assentamento Terra Vista, a estrutura de educação atende às crianças e jovens do campo e das comunidades urbanas “Mudamos a visão do coronel de plantar, colher e vender para uma visão que questiona o que foi plantado e como foi plantado”, diz Solange Santos, do MST vizinhas. Na educação infantil, a Escola Municipal Florestan Fernandes atende a formação até o 5º ano.
OZIEL ARAGÃO/MST

Para o nível médio e técnico profissionalizante, os estudantes frequentam o centro de educação

Para o nível médio e técnico profissionalizante, os estudantes frequentam o Centro Estadual de Educação Profissional do Campo Milton Santos, onde podem cursar Zootecnia, Agroecologia, Informática, Meio Ambiente e Agroextrativismo. O centro também possui uma sala de informática, por meio do programa estadual de Centros de Cidadania Digital.

“Os cursos profissionalizantes são abertos à comunidade vizinha, ajudando as cidades a ter acesso a essa educação. Nossa meta é não apenas criar mão de obra, mas sim profissionais qualificados capazes de ter uma posição crítica ao mundo”, diz Mara Ribeiro, coordenadora regional de educação do MST.

Fora do assentamento, há a oportunidade no ensino superior. Isso ocorre por meio do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). Em parceria com a Universidade Estadual da Bahia (Uneb) e com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), os sem-terra conseguem cursar a educação superior no curso de Agronomia.

Tendo como base o modo de vida no campo e suas singularidades, a pedagogia adotada nestes cursos é de alternância, o que permite conciliar o trabalho rural com os estudos.


Apesar das garantias conquistadas, o MST ainda enfrenta dificuldades na manutenção dos projetos. “Estamos sofrendo algumas perdas. Por exemplo, tivemos redução no apoio do governo a alguns projetos de educação. Internamente, essa perda se reflete na dificuldade de manter um trabalho de formação política dos formadores, o que configura um desafio para a organização do coletivo de educação no assentamento”, diz Mara Ribeiro.

O desafio a que ela se refere conta com algumas iniciativas. Mensalmente, durante dois dias, os assentados se reúnem em um seminário para planejar as atividades da produção agrícola. Este momento é estendido também para a educação, com espaço de formação na tentativa de aliar a educação ao trabalho. “Envolvemos as crianças nas tarefas da horta, além de dividirmos atividades entre todos: homens e mulheres. O momento também tem sido aproveitado como um espaço de reflexão do movimento”, diz Mara.

OZIEL ARAGÃO/MST

Atualmente, a principal meta na educação é garantir que as escolas trabalhem em turno integral

Atualmente, a principal meta na educação é garantir que as escolas trabalhem em turno integral, possuindo atividades pedagógicas para o tempo livre. A estruturação da biblioteca do Centro Milton Santos também é um dos próximos passos a serem dados pelas famílias, com a finalidade de trazer ao assentamento atividades e cursos artístico-culturais.
Uma nova história para o cacau

Os assentamentos representam uma radical mudança no cenário da produção agrícola local. O assentado Cipriano Ventura dos Santos, do Assentamento Ojeferson Santos, assistiu às mudanças de perto.

“Na época dos coronéis, a gente era quase cativo, sem nenhuma regalia. A gente vendia o dia para comer e não tinha direito de fazer nem uma roça”, diz Cipriano, que começou a trabalhar com 11 anos nas lavouras de cacau, recebendo um cruzeiro por dia. “Hoje eu ganho mais e administro meu tempo, sem nenhum cabo de turma”, completa.

No tempo dos latifundiários do cacau, a educação não fazia parte dos planos dos trabalhadores. “Meu pai não tinha condição de me por na escola, dizia que escola de menino era a roça. Quando aprendi a escrever meu nome, eu já era pai. Hoje, meus filhos sabem ler”, relata Santos.

João da Silva Meira, assentado do Ojeferson Santos, também trabalhou nas plantações de cacau dos coronéis. “Hoje a vida está bem melhor, porque a gente não precisa trabalhar para os outros e ainda ajuda o abastecimento da cidade. Mas ainda precisamos que o governo nos dê crédito e fortaleça as políticas públicas aqui, falta olhar com mais atenção para a nossa realidade”, diz.
OZIEL ARAGÃO/MST

Assentamento de Cipriano busca parcerias para que o investimento na produção orgânica continue na região

A nova história do cacau promete novos frutos. O assentamento de Cipriano, por exemplo, busca parcerias para que o investimento na produção orgânica possa ser continuado na região, bem como estrutura para que outros cultivos ajudem na renda do trabalhador rural, a exemplo da produção de farinha de mandioca. Já o Terra Vista e Nova Aliança buscam ampliar a produção agroecológica e introduzir novas tecnologias que ajudem neste caminho.

A luta do MST vem, portanto, trocando a roupa do coronelismo, da concentração de riqueza e do latifúndio do passado da região por uma história de integração, agroecologia e educação para os trabalhadores rurais.

por Ana Maria Amorim, do MST /Adaptado por o photossintese

sábado, 13 de junho de 2015

Faculdade de Ilhéus e Cabruca querem implantar Pós-Graduação em Gestão de Chocolataria Gourmet




Faculdade de Ilhéus e Cabruca querem implantar pós-graduação em Gestão de Negócios em Chocolataria Gourmet

O presidente do Instituto Cabruca, Durval Libânio Netto Mello, esteve reunido com o diretor da Faculdade de Ilhéus, Almir Milanesi, com o objetivo de definir uma parceria entre as instituições visando à implantação de um curso de pós-graduação em Gestão de Negócios em Chocolataria Gourmet. Participaram também da reunião a diretora Acadêmica, Sandra Milanesi, a coordenadora do curso de Nutrição, Juliana Argolo, o secretário executivo do Cabruca, Gerson Marques, e o engenheiro de Alimentos, Biano Alves de Melo Neto, pesquisador do Instituto Federal Baiano.

Durval Libânio, que também é professor universitário e já presidiu a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Cacau, e participou do Salão do Chocolate de Paris, fez um breve histórico sobre o chocolate produzido na Europa e sobre as variedades de cacau, a exemplo do crioulo, o forasteiro (cultivado em nossa região e considerado ideal para maior percentual no chocolate) e o trinitário. Conforme declarou, “o grande mercado do chocolate é aqui e o chocolate que estamos produzindo é da melhor qualidade. É a oportunidade de mostrar o que sabemos fazer e refletir o quanto fomos iludidos com o chocolate ao leite, com baixo teor de cacau, produzido por marcas famosas do mercado internacional”.

Com relação à implantação do curso, Libânio afirma que “a nossa logística, com aeroporto e voos até São Paulo, se constitui numa facilidade de acesso, e a fazenda de cacau é um grande atrativo para atrair visitantes de outras regiões, pontos que favorecem a instalação de cursos em nossa cidade.”. Para o secretário executivo do Cabruca, Gerson Marques, “temos o produto, que é o cacau, e por isso nos cabe desenvolver uma escola de chocolataria”.

A Faculdade de Ilhéus foi escolhida para a implantação da pós-graduação em Gestão de Negócios de Chocolataria Gourmet em função do bom conceito que os seus cursos desfrutam na região, além da infraestrutura de laboratórios que possui, com equipamentos de última geração, e de oferecer o curso de Nutrição.

O presidente do Instituto Cabruca acrescenta que “somos o terceiro maior produtor de cacau, temos produção e temos mercado consumidor”. Segundo ele, o Instituto Cabruca está estruturando a sede localizada na Avenida Dois de Julho, no centro histórico de Ilhéus, para vender serviços, inclusive com cursos de curta duração sobre chocolate. “Nosso laboratório está preparado para ensinar a fazer chocolate em casa”, garantiu Durval Libânio.

A diretora acadêmica da Faculdade de Ilhéus, Sandra Milanesi, disse que “a instituição está aberta a novos projetos e temos como missão contribuir para o crescimento da região”. O próximo passo da parceria será a visita dos diretores da Faculdade à sede do Cabruca para conhecer as instalações do laboratório. Ela salientou que a Faculdade integra um grupo de estudos que discute a Cadeia do Cacau e Chocolate do Sul da Bahia, na sede do Sebrae de Ilhéus, ao lado de representantes da Federação das Indústrias do Estado da Bahia, da UESC, Associação Cacau Sul Bahia, Sesi, Senai, Sindicato Rural de Ilhéus, Federação da Agricultura, Câmara Setorial Nacional do Cacau, dentre outros.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Cultivadores de cacau reflorestam Amazônia brasileira


Darcírio Wronski mostra as amêndoas de cacau secando ao sol no pátio de sua casa, com as quais elabora manteiga de cacau. Sua família é uma das 120 agrupadas em seis cooperativas que elaboram cacau orgânico na região de Medicilândia e Altamira, no Estado do Pará. Foto: Mario Osava/IPS

Medicilândia, Brasil, 10/6/2015 – “Agora nos damos conta do paraíso em que vivemos”, reconheceu Darcírio Wronski, líder dos produtores de cacau orgânico na região onde a rodovia Transamazônica cruza a bacia do rio Xingu, no norte do Brasil. Além do cacau, em seus cem hectares ele cultiva banana, cupuaçu (Theobroma grandiflorum), abacaxi, maracujá (Passiflora edulis) e outras frutas, nativas ou não.

Com as frutas, sua mulher, Rosalina Brighanti, prepara geleias, que são tentações por si mesmas, ou recheios de barras de chocolate, que ela e seus ajudantes produzem artesanalmente. Tudo com certificado orgânico.

Mas era mais parecida com o inferno a realidade que ambos enfrentaram nos anos 1970, quando migraram separadamente do sul do Brasil para Medicilândia, município que se apresenta como “a capital nacional do cacau”, onde se conheceram, se casaram em 1980 e tiveram quatro filhos, que hoje trabalham com eles na propriedade.

Vieram para a Amazônia devido à publicidade enganosa do governo, na época uma ditadura militar, que prometia muita terra com toda a infraestrutura e os serviços de saúde e educação em assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O objetivo era ocupar a Amazônia, considerada um vazio demográfico vulnerável a invasões e manobras internacionais, que poderiam tirar do Brasil a soberania sobre o imenso território de selvas, rios e possíveis riquezas minerais.

A Transamazônica – uma estrada projetada para percorrer 4.965 quilômetros cruzando horizontalmente o país desde o nordeste até o extremo oeste – seria um eixo dessa integração amazônica à nação, ao longo do qual se assentaram milhares de famílias rurais, procedentes de outras regiões do país. Inconclusa, sem pavimentação nem pontes adequadas, a estrada logo ficou intransitável em muitos trechos, especialmente na época das chuvas.

Os assentados ficaram abandonados, praticamente isolados, e provocando um extenso desmatamento. Medicilândia é produto desse processo. Seu nome homenageia o general e presidente Garrastazú Médici (1969-1974), que inaugurou a Transamazônica em 1972. O lugar surgiu no quilômetro 90 da rodovia, se expandiu até ser reconhecido como município, em 1989, onde agora vivem cerca de 29 mil pessoas.
Rosalina Brighanti, conhecida como Dona Rosa, em sua cozinha, onde prepara doces, com o cartaz dos chocolates orgânicos, feitos sob padrões especiais da família, reconhecidos por consumidores e comerciantes no Brasil e no exterior. Foto: Mario Osava/ IPS
“Para os pioneiros da colonização foi uma tortura. Aqui não tinha nada para se comprar ou vender. Para comprar alguns alimentos tínhamos que viajar até Altamira, a cem quilômetros por estrada sem asfalto”, recordou Rosalina, de 55 anos, mais conhecida como Dona Rosa.

Natural do Estado de Santa Catarina, onde seu pai tinha uma pequena propriedade, impossível de dividir entre os dez filhos, Wronski buscou o “sonho amazônico”. Após fracassar com cultivos tradicionais como arroz e feijão, acabou comprando uma área e plantando cacau, um cultivo local incentivado pelo governo. Sua opção pela produção orgânica acelerou o reflorestamento de suas terras, onde antes se cultivava cana-de-açúcar.

O cacau agora aparece como alternativa para geração de empregos e de renda para mitigar o desemprego local, quando terminar a construção de Belo Monte, a gigantesca hidrelétrica sobre o rio Xingu, localizada perto de Altamira, principal cidade da região que engloba 11 municípios. Suas primeiras turbinas devem gerar energia a partir deste ano, e as últimas em 2019.

A atração de empregos fixos nas obras de Belo Monte tirou mão de obra do cacau. “Isso provocou a perda de 30% na colheita de cacau de Medicilândia este ano”, contou Wronski à IPS durante uma visita à sua plantação. “Conheço uma família que tem 70 mil cacaueiros cujo filho trabalha em Belo Monte e não na colheita”, disse este produtor de 64 anos. A expectativa é que os trabalhadores voltem ao cacau quando se intensificarem as demissões nas construtoras, com a proximidade do final das obras.

Para a manutenção das plantações são suficientes as famílias que vivem nas propriedades, mas a colheita exige mão de obra adicional. Essa situação não preocupa o casal Wronski-Brighanti. Em sua propriedade vivem seis famílias, duas de parentes e três de meeiros, que trabalham parcelas da plantação em troca de metade da colheita. Além disso, contam com trabalhadores ocasionais procedentes de uma agrovila vizinha, onde vivem cerca de 40 famílias, boa parte sem cultivos próprios.

As propriedades de cacau empregam muita gente porque “sua mão de obra é 100% manual, não há máquinas para colher e quebrar seus frutos”, explicou à IPS o técnico local Alino Zavarise Bis, da Comissão Executiva do Plano de Cultivo do Cacau (Ceplac), órgão estatal de fomento, assistência técnica e pesquisas.

Além de empregos e renda que mantêm as famílias no campo, o cultivo de cacau impulsiona o reflorestamento. Medicilândia ainda tem dois terços de população rural e, vista do ar, mostra ser um município que conservou suas florestas nativas. Isso ocorre porque os cacaueiros necessitam da sombra de árvores mais altas, para sua saúde e produtividade. Quanto estão crescendo, se usa a sombra de bananeiras, o que, por sua vez, aumentou muito a oferta local desse fruto.
Cacaueiro carregado de frutos, à sombra de algumas plantas de banana, na propriedade da família Wronski, no município de Medicilândia, no Pará, na Amazônia brasileira, onde os produtores orgânicos ajudam a reflorestar a região. Foto: Mario Osava/ IPS
“Temos o privilégio de trabalhar à sombra”, brincou Jedielcio Oliveira, coordenador comercial do Programa de Produção Orgânica, desenvolvido na região Transamazônica/Xingu pelo Ceplac, por outras instituições nacionais e pela Agência Alemã de Cooperação Técnica. Porém, a produção orgânica ainda é muito pequena, apenas 1% do total do Estado do Pará, onde fica Medicilândia e toda a área de influência de Belo Monte.

“São cerca de 800 mil toneladas anuais de amêndoas de cacau e um nicho de 120 famílias, agrupadas em seis cooperativas”, afirmou Bis. Wronski preside uma delas, a Cooperativa de Produção Orgânica da Amazônia, e acaba de ser eleito para encabeçar a Cooperativa Central, recém-criada para coordenar atividades, como a comercialização, das seis sociedades de produtores.

“O produtor orgânico deve ter um perfil distinto, mais sensível à preservação ambiental, à sustentabilidade. Enquanto o convencional objetiva a produtividade e os ganhos, o orgânico busca o bem-estar, a saúde familiar e a conservação da natureza, sem ignorar lucro, já que obtém preços melhores”, explicou o técnico do Ceplac.

Por essa razão, uma nova adesão só acontece por convite de um sócio da cooperativa, aprovação em assembleia e “um processo de conversão que dura três anos, tempo necessário para desintoxicar o solo”, que recebeu venenos e fertilizantes químicos, acrescentou Bis. “O sistema de produção tem de ser orgânico, não apenas o produto final”, ressaltou à IPS outro produtor de cacau, Raimundo Silva, de Uruará, município a oeste de Medicilândia, e responsável comercial pela nova Cooperativa Central.

O cacau orgânico do Pará abastece, por exemplo, o grupo austríaco Zotter Chocolates, que anuncia uma variedade de 365 sabores e a prática do comércio justo. No Brasil, tem entre seus clientes a empresa Harald, que exporta seus chocolates para mais de 30 países, e a companhia Natura Cosméticos.

A indústria, em geral, embora prefira a matéria-prima mais abundante e barata, agrega uma parte do orgânico, mais rico em manteiga, sempre que deseja produzir um chocolate de melhor qualidade. O cacau convencional, que usa pesticidas e outros produtos químicos, ainda domina o setor no Pará. Uma pequena fábrica de chocolate, a Cacauway, foi criada em 2010 em Medicilândia pela Cooperativa Agroindustrial da Transamazônica, formada por produtores não orgânicos.
O produtor de cacau José Tinte Zeferino, conhecido como Cido, diante de sua casa, escondida entre uma densa vegetação e rodeada por seus cacaueiros, no município de Brasil Novo, perto do rio Xingu e da rodovia Transamazônica. Foto: Mario Osava/IPS

“O futuro do cacau está no Pará, que reúne todas as condições favoráveis à sua produção, como chuva abundante, solos férteis e seu cultivo por agricultores familiares, que permanecem em suas terras, ao contrário dos grandes produtores que vivem nas cidades”, destacou Bis. O Pará ainda é superado pelo Estado da Bahia, que concentra dois terços da produção nacional de Cacau, mas a produtividade paraense alcança uma média de 800 quilos para cada árvore, o dobro da baiana, assegurou o especialista.

Além disso, os cacaueiros amazônicos convivem melhor com pragas como a vassoura de bruxa, que reduziu em 60% a colheita da Bahia na década de 1990. Nessa época, o Brasil era o segundo produtor mundial, mas caiu para sexto lugar, superado por países da África ocidental, Indonésia e inclusive o vizinho Equador.

De colonizador a reflorestador

José Tinte Zeferino, conhecido como Cido, de 57 anos, trouxe sua paixão pelo café do Estado do Paraná até a rodovia Transamazônica. Sendo inviável a cafeicultura, tentou vários cultivos e acabou como produtor de cacau orgânico em Brasil Novo, município vizinho a Altamira e ao rio Xingu. Mas agora sua paixão é florestal, as árvores enormes que plantou ou conservou em sua propriedade de 98 hectares, adquirida há 15 anos.

O cacaueiro exige sombra, mas Cido exagerou em sua dedicação à produtividade, segundo outros cooperativistas. “Produzo entre 2.800 e três mil quilos por ano, e com a vantagem do melhor preço do cacau orgânico, basta para viver”, afirmou. Sua alegria é contemplar árvores gigantescas e ter sua casa invisível para quem está na rodovia, ocultada pela densa vegetação. Ele radicalizou a conversão do colonizador em reflorestador amazônico.

* Fonte : Inter Press Service . Esta reportagem integra uma série concebida em colaboração com Ecosocialista Horizons.


segunda-feira, 8 de junho de 2015

Chocolife marca presença na NaturalTech e lança a Linha Veggie para Vegetarianos e Veganos


A linha Veggie, composta por Veggie Protein, proteína concentrada de arroz integral germinado orgânico e ervilha amarela nos sabores natural e baunilha, será apresentada ao público durante a NaturalTech de 10 a 13 de junho no Pavilhão da Bienal do Ibirapuera/SPor Shakes nos sabores frutas vermelhas e chocolate e o




Lançamentos:


Chocolife Veggie Protein- Proteína de concentrada de arroz integral germinado orgânico e ervilha amarela sabores natural e baunilha em embalagem de 400g

Chocolife Veggie Shake sabores chocolate e frutas vermelhas em embalagem de 412g

A Chocolife se consolida no mercado de alimentos funcionais, zero glúten, lactose e açúcar e lança a Linha Chocolife Veggie voltada ao público vegetariano, vegano e aos que buscam qualidade de vida.


Veggie Shake sabores frutas vermelhas e chocolate
Características e benefícios do Chocolife Veggie Shake:
O produto é 0% açúcar, 0% glúten, 0% lactose, 0% soja, 0% corantes e conservantes, uma porção com 32 gramas tem em média 91 calorias, traz 25% da ingestão diária recomendada de vitaminas e minerais quelados, que tem melhor absorção que os sais minerais inorgânicos, utilizados em produtos convencionais.


Mix de Fibras
Cada porção de 32 gramas contém ainda 5g de fibras prebióticas, que estimulam o crescimento da população de probióticos no intestino, que gera ácidos graxos de cadeia curta, melhora a absorção de alguns minerais (como cálcio e ferro), aumenta o volume do bolo fecal, reduz o tempo de trânsito intestinal, tem ação hipocolesterolêmica e ainda melhoram a defesa intestinal contra patógenos e alérgenos.


Proteínas
O Chocolife Veggie Shake tem na sua composição um mix de proteínas: proteína concentrada de arroz integral germinado orgânico, proteína concentrada de ervilha amarela e a colaboração da proteína proveniente do amaranto. São proteínas hipoalergênicas com perfil de aminoácidos essenciais e não essenciais equilibrados, ideal para formação de músculos, perda de gordura e aumento do desempenho físico. Com perfil nutricional semelhante a proteína do leite, apresentam resultados positivos em suplementação pós treino.
Frutas vermelhas liofilizadas
Cada porção do Chocolife Veggie Shake fornece ainda 1000mg de frutas vermelhas liofilizadas, processo que assegura a integridade dos nutrientes, o que preserva todos os benefícios presentes nas frutas in natura.

O Chocolife Veggie Shake é composto ainda de 345mg de ômega-3 proveniente da semente de linhaça dourada, finamente moída e processada, o que garante excelente biodisponibilidade do ácido graxo essencial ALA (ácido alfa linolênico).
Chocolife Veggie Shake sabor Frutas Vermelhas:
Porção de 32g = 92 calorias
Embalagem 412g = 13 porções

Ingredientes:
Mix de proteínas vegetais (proteína concentrada do arroz integral germinado, proteína concentrada de ervilha amarela), amaranto, Mix de vitaminas e minerais quelados (sulfato de potássio anidro, cálcio citratomalato, sulfato de magnésio monohidratado, trisglicinato de ferro, ácido ascórbico, nicotinamida, bisglicinato de zinco, pantotenato de cálcio, cloridrato de piridoxina, riboflavina, nitrato de tiamina, acetato de retinol, ácido pteroilmonoglutâmico, iodeto de potássio, complexo de selênio com glicina, biotina, DL alfa acetato de tocoferol, cianocobalamina), polidextrose (fibra alimentar), frutooligossacarídeo (fibra alimentar), linhaça dourada finamente moída, mix antioxidante (açaí, cranberry, morango e framboesa), goma acácia, goma xantana, ácido cítrico, aromatizante idêntico ao natural de frutas vermelhas, edulcorante natural estévia (Reb A). Não contém glúten.


***Preço sugerido ao consumidor final: R$115,00
Uma porção de 400ml (32g), se considerado apenas o produto sairá por R$9,58.
Chocolife Veggie Shake Sabor Chocolate
Porção de 32g = 90 calorias
Embalagem 412g = 13 porções


Ingredientes:
Mix de proteínas vegetais (proteína concentrada do arroz integral germinado, proteína concentrada de ervilha amarela), amaranto, mix de vitaminas e minerais quelados (sulfato de potássio anidro, calciocitratomalato, sulfato de magnésio monohidratado, trisglicinato de ferro, ácido ascórbico, nicotinamida, bisglicinato de zinco, pantotenato de cálcio, cloridrato de piridoxina, riboflavina, nitrato de tiamina, acetato de retinol, ácido pteroilmonoglutâmico, iodeto de potássio, complexo de selênio com glicina, biotina, DL alfa acetato de tocoferol, cianocobalamina), cacau em pó, linhaça dourada finamente moída, polidextrose (fibra alimentar), frutooligossacarídeo (fibra alimentar), mix antioxidante (açaí, cranberry, morango e framboesa), goma acácia, goma xantana, aromatizante idêntico ao natural de chocolate, edulcorante natural estévia (Reb A).

Não contém glúten.
Sugestões de uso: misture 2 medidas de Chocolife Veggie Shake com 400mL de água, água de coco, leites vegetais ou sua bebida favorita. Experimente também adicionar frutas.
***Preço sugerido ao consumidor final: R$115,00
Uma porção de 400ml (32g), se considerado apenas o produto sairá por R$9,58.


Chocolife Veggie Protein Sabores Natural e Baunilha
O Chocolife Veggie Protein foi desenvolvido não somente para veganos e vegetarianos, mas para todas as pessoas que necessitam aumentar o seu aporte proteico de forma saudável e prática. Composto por proteínas vegetais provenientes do broto do arroz integral germinado orgânico e da proteína concentrada de ervilha amarela, que se destacam pelo perfil de aminoácidos essenciais e não essenciais equilibrado, que auxiliam na construção de músculos, redução de gordura e aumento da performance.

Lista de Ingredientes e calorias
Chocolife Veggie Protein Sabor Natural
Ingredientes: Mix de proteínas vegetais (proteína concentrada do arroz integral germinado, proteína concentrada de ervilha amarela), goma xantana.
O produto tem 16 gramas de proteína vegetal por porção, o que equivale a 22% das necessidades diárias, é isento de glúten, 0% de açúcar, 0% de gordura trans, 0% de soja, 0% de proteína do leite e 0% de ingredientes animal.

**1 porção de 20g equivale a 77,8 calorias.
*Chocolife Viggie Protein Sabor Baunilha
Ingredientes: Mix de proteínas vegetais (proteína concentrada do arroz integral germinado, proteína concentrada de ervilha amarela), aromatizante idêntico ao natural de baunilha, edulcorante esteve (Rio A), goma chanana.

O produto tem 16 gramas de proteína vegetal por porção, o que equivale a 22% das necessidades diárias, é isento de glúten, 0% de açúcar, 0% de gordura trans, 0% de soja, 0% de proteína do leite e 0% de ingredientes animal.

**1 porção de 20g equivale a 77,8 calorias.
Preço sugerido ao consumidor final: R$ 115,00


Sobre a Chocolife
A empresa está no mercado há 7 anos e já conquistou uma legião de pessoas que buscam bem estar e qualidade de vida. A Chocolife nasceu da demanda de consumidores que, orientados principalmente por nutricionistas para o consumo de chocolate com maior percentual de cacau, portanto com mais potencial antioxidante, baixo teor de gorduras, isentos de lactose, de glúten e zero açúcar.


Possui em seu portfólio uma linha completa de chocolates funcionais, ao leite, 50% cacau, 70% cacau, achocolatado com alto teor de cacau e lançou o primeiro shake hipoalergênico do Brasil, nos sabores baunilha e chocolate.


Em 2013 a empresa lançou a exclusiva linha da beleza Beauty Care que revoluciona os cuidados com a pele, composta de achocolatado, creme de avelã e chocolate. Todos com colágeno Verisol®, peptídeos que estimulam a produção de colágeno, o qual traz benefícios à pele.

Linha Food Service para confeitaria funcional
A Chocolife desenvolveu ainda o Chocolate em barra com 2.010kg, voltado a profissionais da gastronomia e mercado food service, nas versões 50% cacau, e 70% cacau, ambos com os mesmos benefícios dos tabletes de 25 gramas, bem como os Shakes Hipoalergênicos de 2,5kg, Veggie Shake de 2,56kg, Veggie Protein com 2,2kg e Creme de Avelã com Cacau, de 3kg, ambos sem açúcar, sem glúten e sem lactose.


Pontos de Vendas
Os produtos da Chocolife podem ser encontrados em pontos de vendas, nos seguintes Estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Brasília, Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Ceará, Alagoas, Bahia, na Rede Mundo Verde e outras Lojas de Produtos Naturais. Em São Paulo na Casa Santa Luzia, Empórios Especiais, Drogaria São Paulo, Farmácia Onofre, e nas farmácias de manipulação. O site da empresa traz um mapa com todos os pontos de vendas da Chocolife no país.

Serviço
NaturalTech - 11ª Feira Internacional de Alimentação Saudável, Suplementos, Produtos Naturais e Saúde
A conscientização do consumidor e sua exigência cresceram. O ponto de venda precisou se adaptar e ampliar seus produtos para atender esta demanda. Assim é a NATURALTECH, promovida pela Francal Feiras é uma feira profissional voltada a negócios na área de alimentação saudável, suplementos, beleza e terapias complementares.

Data: 10 a 13 de junho de 2015
Horário: 11h às 19h
Local: Pavilhão da Bienal do Parque Ibirapuera (entrada pelo portão 3) - São Paulo - SP - Brasil
Visite o Estande da Chocolife na NaturalTech na Rua 3, estande nº 65.
Entrada Franca
www.naturaltech.com.br

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Em Ilhéus, indústria norte-americana apresenta tecnologia supercompacta para produção artesanal de chocolate


Durante o VII Festival Internacional do Chocolate e Cacau, os indianos radicados nos Estados Unidos, Andal Balu e Mannarsamy Balasubramanian, apresentarão uma tecnologia supercompacta para processamento do cacau e produção de chocolate artesanal a partir da amêndoa. O casal é proprietário da indústria CocoaTown, em Atlanta, que projeta, fabrica e distribui uma linha de equipamentos compactos para ajudar pequenos produtores a fazer chocolate gourmet bean to bar (do grão à barra, em tradução livre).


 A ideia é aliar a conveniência da modernidade com a maneira mais autêntica de se produzir chocolate fino. No portfólio da CocoaTown estão máquinas pequenas e leves – de até 15 quilos – para moer, torrar e misturar os ingredientes, e com capacidade de processamento de aproximadamente 4 quilos de sementes de cacau.



Andal Balu e Mannarsamy Balasubramanian participarão do Chocoday, encontro de grandes especialistas internacionais do mundo do chocolate, sábado, 13 de junho, no Centro de Convenções de Ilhéus. Sob o tema “Declare seu Amor ao Chocolate”, a sétima edição do Festival Internacional do Chocolate e Cacau acontece de 11 a 14 de junho e reúne negócios e gastronomia no Sul do Estado.

Cacau com artesanato e costura


Criação recente, o salaminho de chocolate despontou entre os produtos da agroindústria espalhados sobre a mesa. O freguês também escolheu produtos em pó e castanhas caramelizadas no cacau, tudo natural e sem substâncias conservantes.


Das vendas paroquianas, a Associação das Agricultoras e Agricultores Familiares de Teixeirópolis (Aaafat) adquiriu freezer, liquidificadores, e projeta agora o futuro de suas atividades com melhor tecnologia. Quer ofertar produtos de artesanato, corte e costura e aves, no que contará inicialmente com pelo menos mais 20 integrantes.
“Começamos a trabalho no pilão artesanal e chegamos ao atual estágio”, comentou Ilma José Alves Lopes. Ela e outras 23 sócias da entidade venderam a linha de achocolatados mais solicitada por clientela de diferentes padrões em visita aos pavilhões de produtos alimentícios, na 4ª Feira Rondônia Rural Show [no Parque de Exposições Hermínio Victorelli]. A unidade custava R$ 2, mas com R$ 10 a freguesia levava até sete doces.
“Vamos ver no que vai dar. A gente pensava assim e entregava boa parte dos bombons para o tratamento homeopático feito pela Paróquia de Ouro Preto do Oeste. Depois, criamos o chocobom, um creme de chocolate com castanha, servido com torrada, biscoito e queijo”, contou Ilma.
Mulheres agricultoras de Teixeirópolis [na região central de Rondônia, 4,8 mil habitantes, a 350 quilômetros de Porto Velho], não se limitaram ao principal produto, originário dessa lavoura formada em meados dos anos 1970 na região de Ouro Preto do Oeste. Há algum tempo já fabricam doces de frutas diversas e de castanha. Agricultura familiar reúne 20% da mão de obra feminina no município, aponta pesquisa do IBGE.
Irene Araújo Cavalcanti cultiva três mil cacaueiros em três hectares. Produziu clones e ingressou na associação em 2014, depois de uma onda de abandono que por pouco não causou desânimo geral no grupo. “Entre nós, a força do entusiasmo é assim: uma vê o sucesso da outra e se pega no trabalho”.
Ao participar pela primeira vez da Rondônia Rural Show e registrada em cartório depois de curso básico, a associação apoiada pelo Projeto de Fortalecimento da Organização Social e Produtiva da Agricultura Familiar já vislumbra êxito semelhante ao do Projeto Reflorestamento Econômico Consorciado Adensado (Reca), que funciona no Km 1071 da rodovia BR-364, no Distrito de Nova Califórnia.

“Experiências de sucesso devem ser repetidas, e acho que estamos em condições de alcançar esse êxito”, comentou a técnica da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Fátima Janones.
O estatuto da associação prevê diversificação de atividades. Assim, do cacau para o artesanato e corte e costura será um pulo. Pelo menos na visão e na expectativa de Fátima, cuja gratidão ela manifesta a cada apoiador, seja pelos cursos até então promovidos, pela entrega do barracão de produtos, e pela gerência de empreendimentos da Emater, Ceplac e prefeitura. “Confiaram em nosso trabalho, deram-nos a devida autonomia, e assim caminhamos”, ela frisou.


Fonte: DECOM/ Rondonia

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Cientistas tentam salvar suprimento mundial de chocolate





MUNDO - Enquanto estiver no seu escritório apreciando o delicioso bolo de chocolate do aniversário de um colega, os cientistas em Londres estão trabalhando para salvar a oferta mundial de chocolate. Não sabia que precisava economizar e poupar no ingrediente? Agora já sabe.

Como a nossa demanda aparentemente insaciável por todas as coisas feitas com cacau cresce, as plantas de cacau que são a base do chocolate, não conseguem acompanhar o consumo. Já para não falar que a árvore de cacau é uma das plantas mais delicadas e sujeitas a doenças do mundo. Uma equipe de cientistas conhecidos como "Operação Wonka" no Cocoa International Quarantine Center, em Londres, está tentando encontrar formas de tornar as plantas do cacau mais resistentes à doenças e ainda buscam aumentar o rendimento das árvores, conforme o The Daily Mail. O centro também está tentando se certificar de que as plantas não transmitam doenças potencialmente fatais, que são comprovados para devastá-los.

Se você realmente quer continuar a usufruir de produtos de chocolate, você deve se preocupar com a forma que utiliza esse ingrediente. Outra coisa, em algum momento você vai ficar sem seu chocolate ", afirma o pesquisador Okemi obok em entrevista a CBS News. “Dependendo da estirpe do vírus poderá se ter uma perda total de culturas que varia dos 50 aos 100 por cento.”

Isto significa que com a doença correta, o chocolate poderia enfrentar uma grave crise, desaparecendo em todo o mundo.