sábado, 13 de agosto de 2016

CEPLAC realizou o 9º Seminário de Iniciação Científica do Cepec



Com o tema “O Despertar do Pensamento Científico”, a CEPLAC/Mapa realizou durante os dias 9 e 10 de agosto, no seu Centro de Treinamento o 9º Seminário de Iniciação Científica do Centro de Pesquisa e Assistência Técnica e Extensão Rural do Cacau – CEPEC, sob a coordenação do pesquisador Paulo Cesar Lima Marrocos.





Durante o evento, a CEPLAC/Mapa realizou as avaliações dos resultados dos trabalhos Científicos apresentados pelos estudantes que participam do Programa de Bolsa de Iniciação Científica (PBIC), concedidas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia – FAPESB e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico-CNPq.

Foram apresentados 35 trabalhos científicos realizados no CEPEC durante um ano e em regime de estágio, com o apoio da CEPLAC e a orientação de pesquisadores da Instituição. Os estudantes são oriundos dos seguintes estabelecimentos de ensino: Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC, Faculdade de Tecnologia e Ciência – FTC, Faculdade de Ilhéus e da Universidade Federal do Sul da Bahia-UFSB.





O pesquisador da CEPLAC/Mapa, Paulo Cesar Lima Marrocos e Coordenador do PBIC, ressaltou a importância dessa atividade para os agentes envolvidos: “Os alunos são beneficiados com a nossa contribuição para o seu processo de formação profissional no campo da pesquisa, como também eles dão retorno a Instituição com os seus trabalhos desenvolvidos”.

Marrocos informou que esse grupo está chegando ao seu final e uma nova turma já começa a ser preparada. “Ao final do Seminário, como parte integrante da Programação, já nos reunimos com os novos bolsistas selecionados por intermédio de edital realizado nos meses de março e abril desse primeiro semestre”.



Durante o Seminário o Coordenador de Pesquisas da CEPLAC/Mapa, José Marques Pereira, enfatizou a importância do Programa na formação de futuros pesquisadores. “Na CEPLAC eles são treinados em Metodologia de Pesquisa com temas de interesse para a região e que integram o portfólio de pesquisa do CEPEC e ao mesmo tempo eles fornecem as informações dos trabalhos realizados que respaldarão futuras pesquisas que podem ser aplicadas na cacauicultura e outras culturas assistidas por nós”.

Ele observou também ao longo desses anos que a boa qualidade dos trabalhos apresentados refletem a evolução dos estudantes. “A cada ano tem melhorado bastante e um bom resultado apresentado ao final já o credencia para fazer um mestrado, um doutorado e futuramente ser um bom pesquisador e um bom cientista. Por tudo isso, esse Programa tem o total apoio da CEPLAC”, assegurou José Marques.





Um dos trabalhos apresentados foi o da estudante do 7º Semestre de Medicina Veterinária da UESC, Raquel Niella, sobre a “Avaliação de leveduras da filosfera do cacaueiro com potencial de atividade killer contra Moniliophthora perniciosa”.

Ela explicou que inicialmente seu experimento tinha a finalidade principal de procurar mais maneiras de melhorar o controle biológico da vassoura de bruxa. “Avaliamos o potencial das leveduras testadas e o potencial migratório de algumas delas e foram resultados significativos para a pesquisa e o controle da vassoura-de-bruxa porque representaram maneiras que podem contribuir para novas formas e novos produtos biológicos na tentativa de tentar combater essa doença que hoje em dia é muito comum e complica muito o cacau”.





Ela agradeceu a CEPLAC e os parceiros envolvidos no Programa, além dos pesquisadores que orientaram seu projeto. “Esse trabalho cientifico é uma importante contribuição para o nosso conhecimento e nossa carreira acadêmica. Uma oportunidade de desenvolver pesquisas para futuramente fazer um mestrado”.

Superintendência da CEPLAC para BA e ES
Jornalista: José Carlos Peixoto
Fotos: Águido Ferreira
Assessoria de Comunicação da Ceplac

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Adonias de Castro na Superintendência da Ceplac


O engenheiro agrônomo Adonias de Castro, Chefe de Pesquisa e Extensão Rural da Ceplac, está exercendo interinamente o cargo de Superintendente Regional com a recente saída de Alexandre Brandão, que esteve à frente da SUEBA até 8/08/16.







Adonias já está em pleno exercício do cargo e afirmou que manterá todos os compromissos da instituição assumidos na gestão do seu antecessor e que dará prioridade às ações da superintendência que visem à maior aproximação com as entidades representativas dos produtores e da sociedade. Segundo Adonias, “a Ceplac tem muito a oferecer às regiões produtoras de cacau, tem a capacidade de agregar suporte técnico às entidades que defendem os pleitos dos produtores, além de disponibilizar tecnologia avançada de produção sustentável de cacau e chocolate. Produtores e Ceplac devem trabalhar em estreita cooperação – completa Adonias – para maior benefício de todos e isto nós vamos buscar com determinação”.

domingo, 7 de agosto de 2016

Safra de cacau tem quebra de 40%, com a menor produção da última década




A baixa oferta de cacau no mercado doméstico brasileiro impulsiona os prêmios e incentiva as importações

A baixa oferta de cacau no mercado doméstico brasileiro impulsiona os prêmios e incentiva as importações para suprir a demanda das esmagadoras locais. Isso porque, em 2015/2016, a produção brasileira deve registrar uma quebra de mais de 40% em comparação com a safra anterior, resultando na menor produção em 10 anos, de acordo com estimativa da consultoria INTL FCStone.


“A quebra de safra no sul da Bahia coloca o Brasil novamente em um cenário de déficit no balanço de oferta e demanda de cacau, após ter experimentado um leve superávit em 2014/2015, o que não ocorria desde 1996/1997”, explica o analista de mercado da INTL FCStone, Fábio Rezende.

Com a demanda para moagem de cacau devendo se manter estável, o déficit do balanço de oferta e demanda também deve ser o maior nos últimos 10 anos, e o segundo maior da história, chegando próximo de 100 mil toneladas. O prêmio do cacau em Ilhéus (BA), isto é, o diferencial entre o preço praticado na cidade brasileira com o da bolsa de Nova York (ICE), já reflete a súbita mudança no balanço de oferta e demanda. “Na média de julho, Ilhéus pagou um prêmio de USD 268 por tonelada, contra um deságio de USD 623 por tonelada no mesmo mês do ano anterior”, diz Rezende.

Importações

As importações, que são mais comuns no primeiro trimestre do ano, quando a colheita no Brasil é menor, continuam a ocorrer para suprir a demanda das esmagadoras, que mantém a operação no mesmo ritmo que no ano passado, apesar da redução da demanda doméstica. Segundo a INTL, no segundo trimestre, cerca de 68% do subproduto de cacau foi consumido domesticamente, contra 73% no mesmo período de 2015.

O destaque é que, em 2015, os prêmios reagiram de maneira bastante negativa ao saldo positivo no balanço, alcançando um deságio máximo de USD 743 por tonelada em setembro. O substancial descolamento com os preços de Nova York ocorreu pelo fato de o Brasil não contar com uma estrutura para exportação de grandes volumes de cacau, dado que isso não ocorria desde 1997. Naquele ano, registrou-se somente a exportação de uma grande carga de cacau, em novembro. No final de junho, a consultoria INTL FCStone havia estimado os estoques brasileiros de cacau em amêndoas em 49,7 mil toneladas, contra 82 mil no ano anterior.


sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Definida a programação do Dia Internacional do Cacau


Palestras e as tradicionais premiações de Cacauicultor do Ano e Produtor Familiar, além de Produtor de Chocolate e Jovem Empreendedor Rural, são os destaques da programação do Dia Internacional do Cacau, que será realizado no dia 04 de setembro próximo pela CEPLAC/Mapa – Superintendência da BA e ES.

O evento que este ano será comemorado excepcionalmente no 1º domingo de setembro, em decorrência da seca que assolou o Sul da Bahia, terá como tema: “CEPLAC: Do Cacau ao Chocolate”.

Essa data comemorativa foi criada em Turrialba, Costa Rica, em 1958, por sugestão do cientista americano Robert Fowler, durante uma Conferência Internacional do Cacau, que reuniu especialistas de todo o mundo.




O lançamento da Programação à imprensa regional aconteceu na última quarta-feira, 3, no auditório do setor de Relações Públicas, localizado na sede regional da instituição (km-22 da Rodovia Ilhéus/Itabuna), em um encontro dos dirigentes da CEPLAC com os profissionais de comunicação e parceiros num Chocolate Matinal.

Na oportunidade, após a exibição de um vídeo institucional, os dirigentes Carlos Alexandre (Superintendente para BA e ES), Adonias de Castro (Chefe do Centro de Pesquisas e Extensão Rural do Cacau) e Antonio Zugaib (Chefe de Planejamento da Superintendência), repassaram os detalhes sobre a programação.

Sobre o Dia Internacional do Cacau, Carlos Alexandre, ressaltou que “o evento é um importante canal de comunicação com a sociedade e uma oportunidade de compartilhar e debater com os produtores as políticas públicas e as novas tecnologias para a cacauicultura”.





Segundo Adonias Castro, os temas que serão abordados durante o evento são muito oportunos e quando se pensa do Cacau ao Chocolate “nós analisamos que nessa cadeia alimentar existe um potencial de renda que o produtor de cacau ainda não se beneficia. Precisamos prepará-lo para que ele chegue até a ponta do mercado aumentando substancialmente a renda de um negócio que nasce na sua propriedade”.






Ao recepcionar os profissionais de comunicação, Antonio Zugaib explicou a opção pelo tema central - “CEPLAC: Do Cacau ao Chocolate” e agradeceu aos parceiros que estão apoiando o evento: MARS – Centro de Ciência do Cacau, Cargill, COOPEC, Instituto Arapyaú, Olam Cocoa (antiga JOANES), COOFASULBA (Cooperativa da Agricultura Familiar), Gráfica Mesquita, Casa do MDF, M 21, Casa do Japonês, Mercado do Cacau, SEBRAE, Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura - Estado da Bahia.

O chefe de Planejamento da Superintendência concluiu, abordando sobre as palestras da programação e informando que nesse ano os temas foram escolhidos baseados nos objetivos estratégicos contidos no Plano de gestão da Ceplac.

Palestras programadas: 1º - “Tendências e Inovações no Processamento de Chocolate” - (Arali Cunha de Aguiar Pedroso); 2º - “Sustentabilidade na MARS – Projeto Barro Preto/Conservação Produtiva” - (Leonardo Celso Costa Cabral); 3º - “O Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia e seu papel no Desenvolvimento Regional” - (Cristiano Villela Dias).





Durante o lançamento da programação tivemos ainda a participação do chefe dos Serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural, João Henrique, que explicou os critérios das premiações de Cacauicultor do Ano e Produtor Familiar e também dos destaques de Produtor de Chocolate e Jovem Empreendedor Rural.





Superintendência da CEPLAC para BA e ES

Jornalista: José Carlos Peixoto

Fotos: Águido Ferreira

Reportagens: José HamiltonAssessoria de Comunicação da Ceplac

domingo, 31 de julho de 2016

Apoio à modernização do cultivo de cacau


Produção de cacau em Gandu, na Bahia: segundo produtores, prêmio pela amêndoa certificada chega a cerca de 5%

O calor da lenha para secar as amêndoas de cacau já é história para Almir Rodrigues. Há três anos, o produtor baiano de Ibirataia aposentou sua tradicional secadora a lenha e investiu em uma estrutura ainda pouco conhecida pelos agricultores que se dedicam à lavoura do cacau: a estufa solar. E só essa mudança já foi suficiente para que Rodrigues conseguisse vender suas amêndoas a preços acima do mercado na Bahia.

A aposta foi feita quando a Nestlé deu início no país ao Cocoa Plan, um programa de incentivo a boas práticas na agricultura que começa a ganhar força. Além de oferecer assistência técnica a produtores que são – ou podem vir a ser – fornecedores, a companhia também paga um prêmio em torno de 5%, segundo produtores, pelas amêndoas que não foram contaminadas com fumaça, problema recorrente para quem seca o cacau nas fornalhas a lenha.

Ainda que a iniciativa de assistência técnica esteja separada da área comercial da multinacional suíça, o incentivo financeiro foi uma forma encontrada para evitar que o cacau recebido tenha rastros da contaminação, que prejudica a qualidade do chocolate.

Foi também esse prêmio aos agricultores locais que possibilitou à Nestlé prescindir neste ano de importações para garantir o abastecimento de amêndoas utilizadas na produção de seus chocolates no Brasil. No ano passado, a companhia trouxe de outros países 15% do cacau utilizado em sua produção. Dos cacauicultores brasileiros, comprou 7,5 mil toneladas de amêndoas, volume que deverá aumentar para 10 mil toneladas em 2016, 13 mil em 2017 e 16 mil em 2018.

A autossuficiência no país, alcançada mesmo em meio aos problemas para a produção do Nordeste provocados pela seca – uma das piores crises da cacauicultura nacional desde o ataque da vassoura-de-bruxa, na década de 1990 -, não é apenas um fim para a empresa. É um meio. Afinal, sua proximidade com as áreas de cultivo permite uma análise mais frequente e rigorosa da qualidade das amêndoas que estão sendo entregues.

"Foi um processo gradual. Vimos que a produção dessas regiões poderia dar conta", afirma Guilherme Junqueira, gerente da área de cacau da companhia. Há, obviamente, uma vantagem comercial na compra da amêndoa do Brasil. "O cacau nacional é mais barato, mas de melhor qualidade. Quando o cacau vem de fora, não sei quem foi o produtor ou como foi o cultivo", diz ele, que é engenheiro agrônomo.

Estufas solares e fermentação ajudam os cacauicultores a garantir uma amêndoa de melhor qualidade

A Cooperativa Agrícola Gandu (Coopag), um dos principais fornecedores da Nestlé na Bahia, recebeu, no ano passado, 1,9 tonelada de amêndoas de seus cerca de 600 associados que cultivam cacau. Metade desse volume foi secado em estufas solares, e a expectativa é que essa parcela aumente neste ano, conforme Ana Paula Sousa, que preside a cooperativa. "Hoje são poucos os que misturam [cacau com e sem fumaça]. Quando começou a ter preço diferenciado, melhorou", afirma.

Além da garantia da qualidade do produto, a estufa solar também reduziu o tempo que Almir Rodrigues e sua esposa gastam remexendo as amêndoas para areá-las, trabalho que pode ser feito duas vezes ao dia. "Quando a gente usava o secador de lenha, tinha que mexer de hora em hora", lembra o agricultor, que na época gastou R$ 8,5 mil com a estufa. Atualmente, os produtores pagam de R$ 12 mil a R$ 20 mil pelo equipamento.

O controle da qualidade do cacau pela Nestlé vem sendo azeitado pela relação mais direta entre a companhia e os produtores, com menor dependência de intermediários. Embora tenham uma ampla capilaridade em diversos rincões produtores, esses agentes acabam elevando os custos da cadeia e, não raro, misturam amêndoas de tipos diferentes, o que afeta a qualidade do chocolate.

"Nosso objetivo é eliminar o atravessador e ir direto para a indústria", diz a presidente da Coopag. Segundo Ana Paula, é comum que o intermediário pague abaixo do preço de mercado. A cooperativa já reduziu o volume que vende a intermediários de 80% para 40% do que negocia. A relação próxima com a Nestlé não implica exclusividade, mas a multinacional acaba sendo o destino prioritário das melhores amêndoas dos cooperados, devido ao prêmio oferecido.

Também tem sido importante para a Nestlé intensificar suas compras diretamente dos produtores. Se em 2012 a companhia adquiria 90% de suas amêndoas de comerciantes, agora apenas um terço da oferta vem de intermediários.







Outro processo importante para garantir uma boa qualidade da amêndoa é a fermentação, etapa anterior à secagem. Embora a Nestlé aceite cargas não fermentadas, os técnicos da companhia recomendam que os produtores montem coxos de madeira onde as amêndoas, ainda com a polpa, descansam por cerca de seis dias.

A gestão dessa etapa é feito em uma área experimental da Fazenda Ladeira Grande, uma das nove da M. Libânio Agrícola. Eimar Sampaio, diretor-geral da companhia, segura um termômetro para acompanhar a fermentação e decidir quando remexer as amêndoas e retirá-las dos coxos, que também ficam em estufas. "Essa estrutura ajuda a compensar a amplitude térmica do ambiente".

O controle do pós-colheita na M. Libânio, que também inclui uma seleção mecanizada das amêndoas, foi uma das características que a levou a receber duas certificações, a Rainforest Alliance e a UTZ. As certificações deixam as portas abertas para a M. Libânio fornecer matéria-prima ao mercado de chocolate gourmet na Europa. Atualmente, mais da metade do cacau produzido pela companhia é cacau fino, um tipo de amêndoa exclusiva para a produção de chocolate gourmet.

Além das exigências agronômicas, as certificadoras checam se os produtores estão cumprindo a legislação e as normas trabalhistas e ambientais. "A exigência para a certificação não é nada mais do que cumprir a legislação. Mas a maioria dos produtores ignora por falta de conhecimento", ressalta Sampaio.

Ainda não são todos os fornecedores de cacau da Nestlé que possuem certificação, mas o objetivo da multinacional é disseminar o selo UTZ através do Cocoa Plan. Esse esforço já fez com que, desde fevereiro passado, toda a amêndoa a ser utilizada este ano na produção dos chocolates da marca KitKat fossem certificados com o carimbo UTZ.

Uma das origens desse cacau certificado foi a Fazenda Boa Sentença, em Itabuna, que abriga 217 hectares com cacau cabruca, técnica de cultivo em meio a árvores nativas. Na fazenda, os cacaueiros são entremeados por espécies como o pau-brasil e o jacarandá. A propriedade é uma das 15 da Agrícola Cantagalo, da família de Ângelo Calmon de Sá.

A fazenda, que na temporada 2015/16 colheu aproximadamente 1,6 mil toneladas, conseguiu no fim do ano passado a certificação UTZ para atender às novas regras de produção do chocolate KitKat. A perspectiva é que o apoio técnico da Nestlé comece a dar mais resultados a partir da próxima safra. De acordo com Claudia Sá, gerente da Cantagalo, "é uma relação que não se limita à compra".

Fonte: Valor | Por Camila Souza Ramos | De Ibirataia, Gandu e Itabuna (BA) A jornalista viajou a convite da Nestlé

A polêmica moda de cheirar chocolate, que ganha adeptos na Europa


Sugerido por especialista, uso do pó de cacau vem se popularizando em festas alternativas, em meio a preocupações sobre possíveis efeitos tóxicos.


Morder um chocolate é capaz de levantar o ânimo de muita gente. Uma nova moda na Europa, no entanto, subverte essa ideia: alguns estão optando por aspirar o alimento em vez de devorá-lo.

O pó de cacau se transformou em uma alternativa que muitos dizem ser "saudável" para quem deseja ir para a balada sem tomar drogas. O uso vem aumentando em eventos alternativos europeus, em meio a preocupações sobre possíveis efeitos tóxicos.

Origem
A moda nasceu de uma ideia de um dos principais chocolatiers do mundo, o belga Dominique Persoone. Em 2007, ele criou um dispositivo para cheirar chocolate em pó, da mesma forma que drogas como cocaína são aspiradas.

A empresa de Persoone, a Chocolate Line, afirma já ter vendido 25 mil unidades do dispositivo. Cada "máquina de cheirar chocolate" vem com uma mistura para o consumidor aspirar. Persoone afirma que só conseguiu chegar à mistura certa após várias tentativas.
Dominique Persoone inventou um dispositivo para cheirar o cacau em uma mistura  (Foto: The Chocolate Line/Divulgação)

O chocolatier começou provando o cacau puro, mas percebeu que não era suficientemente forte. Então misturou o pó de cacau com pimenta malagueta, mas a mistura era dolorosa demais para se aspirar.

Finalmente ele conseguiu chegar ao que considerou a "mistura ideal": pó de cacau com hortelã e gengibre, colocado em um dispositivo com uma espécie de "lançador" em formato de colher que, acionado, dispara o pó para a narina.

"O hortelã e o gengibre ativam seu nariz. Daí o sabor deles diminui e o chocolate fica no cérebro", costuma dizer Persoone.

Euforia e efeitos colaterais
O cacau provoca uma injeção de endorfinas no sistema circulatório, o que pode resultar em euforia. Também tem doses altas de magnésio, o que relaxa os músculos, e de flavonoides, que melhoram a circulação e a função cognitiva, segundo estudo publicado pela Revista Americana de Nutrição Clínica.

Outro estudo, de abril de 2016, sugere que o chocolate amargo melhora o rendimento durante o exercício por deixar as pessoas mais rápidas e eficazes na realização de uma tarefa física.

No entanto, fica a dúvida: é perigoso aspirar o cacau? A pergunta ainda é difícil de ser respondida, já que não há registros de risco ou vício em pó de cacau. "Os efeitos de cheirar chocolate não foram estudados", disse Andrés Herane, médico psiquiatra que pesquisa depressão e estresse no King's College de Londres.

Mas isso não quer dizer que o pó de cacau seja totalmente inofensivo. "O chocolate tem muitas propriedades que o transformam em uma substância viciante e, obviamente, tem um efeito no cérebro", acrescentou Herane.

O médico afirma que há pesquisadores, inclusive ele, que acreditam que o chocolate deveria ser classificado como droga. "Há um efeito de busca compulsiva que implica que quem o consome precisa aumentar cada vez mais a dose para sentir o mesmo efeito de prazer."

E cheirar o chocolate tem um efeito muito mais imediato que comer. "Vai dos pulmões diretamente ao sangue, que o leva para o cérebro. É um efeito 'peak' (de auge) mais alto, mas com uma duração menor. Por isso, os que cheiram substâncias precisam fazer isso várias vezes em um período relativamente curto e têm maior risco de vício, porque a vida média (da substância no corpo) é mais curta", afirmou.

E isso sem levar em conta que o chocolate foi criado para ser comido, e não para ser aspirado. "Cheirar chocolate em pó não é seguro, porque (se trata de) uma substância estranha e tóxica no nariz", afirmou Jordan Josephson, otorrinolaringologista do Hospital Lenox Hill, de Nova York, consultado pela revista Science.

Festa
A tendência de cheirar chocolate começou a aparecer em algumas festas alternativas da Alemanha e do norte da Europa. Uma das mais famosas é a Lucid, no clube Alchemy Eros, de Berlim. Os frequentadores da festa, que acontece um domingo por mês, dançam até o dia seguinte com apenas um estimulante: o cacau.

"Não servimos bebidas alcoólicas, mas isso não significa que somos 'anti' tudo. Servimos vários remédios estimulantes, como o cacau puro", afirmam os organizadores no site da festa. A BBC entrou em contato Ruby May, principal organizadora da festa. E ela afirmou que não irá mais falar sobre o assunto.

May explicou que, depois de dar uma série de entrevistas, "fomos tão distorcidos que decidimos não dar mais nenhuma declaração". Há informações de que a tendência já tenha atravessado o oceano Atlântico até os Estados Unidos.

Bárbara Carreño, porta-voz do órgão de combate às drogas dos Estados Unidos, a DEA, disse que não pode interferir no uso de "substâncias não controladas (pela Lei de Controle de Drogas)", como é o caso do cacau.

Cacau são tomense promove sucesso de chocolates Corallo



SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

Os chocolates Claudio Corallo, nome do proprietário, italiano de 64 anos, têm ganho reputação internacional e o segredo está quer na qualidade do cacau de São Tomé e Príncipe quer do modo de colheita e tratamento, revelou o próprio à Africa News.

«O segredo do nosso sucesso começa na qualidade do cacau e passa pela forma como o colhemos os grãos e um processo único de fermentação que resulta de anos de experimentação e apuro», começou por revelar.

Claudio Corallo garante que, «ao contrário das grandes marcas de chocolate, que descascam os graus de cacau de forma mecânica, nós descascamos cada grão de cacau à mão. O que será único no mundo. Com isso, não só garantimos emprego como respeitamos as melhores práticas ambientais», congratulou-se Claudio Corallo.

«A nossa produção, comparada com muitas outras, é pequena. Mas, em compensação, não comprometemos nada no nosso produto e mantemos os mais altos padrões de qualidade. As nossas embalagens são propositadamente simples e minimalistas porque o queremos realçar é a qualidade do nosso chocolate», concluiu.

Claudio Corallo formou-se em agronomia e emigrou para a República Democrática do Congo com apenas 23 anos, tendo trabalhado para o governo na área da pesquisa agronómica. Poucos anos depois, investiu na plantação de café e produz 800 toneladas de café anualmente.

Em 1998, devido ao conflito armado, comprou uma plantação de Cacau em São Tomé e passou a produzir chocolate.